Votar para escolher diretamente o vice-presidente seria uma saída para o Brasil?

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Não faltam motivos para criticar Michel Temer. Vice-presidente e na boca para assumir o cargo máximo da República, o advogado entrou na chapa liderada por Dilma Roussef porque o PT precisava de tempo robusto na televisão durante o horário eleitoral gratuito e também de votos para aprovar projetos de interesse no Congresso. Fora disso, é enrolação.

Ponto. Aliás, o PT também deveria assumir sua parcela de culpa na história. Ninguém forçou Temer a figurar sorrindo ao lado da presidenta na Campanha eleitoral. Negociações políticas foram feitas. Negar isso é inútil.

Muitos críticos argumentam que o provável presidente padece de legitimidade porque não foi votado diretamente. Só que o modelo atual que é adotado, por exemplo, nos Estados Unidos. Ninguém por lá reclama, mas é inegavel admitir que um país marcado por chefes personalistas como o Brasil, o eleitor sente falta de um ocupante da faixa presidencial que receba seu aval. Nada mais natural.

Acredite: nem sempre foi assim. Anteriormente, a Constituição Federal previa votos em separado para presidente e para o vice-presidente. Existia o risco de você eleger um presidente de uma chapa e o vice de outra. Em 1950, Getúlio Vargas retornou ao poder com 3.849.040 votos enquanto que seu vice, Café Filho, que teve na época a chancela do governador de São Paulo, Ademar de Barros, ficou com 2.520.790 votos e carimbou seu lugar.

Após o suícidio de Vargas, uma nova eleição aconteceu em 1955 e Juscelino Kubitschek faturou a faixa presidencial com 3.077.411 votos. Na eleição para o vice-presidente, o resultado deu uma pista porque o trabalhismo era combatido pelas elites e forças conservadoras. Companheiro de chapa de JK, o ex-ministro do Trabalho de Vargas, João Goulart, terminou com 3.591.409 votos. Ou seja, terminou com mais votos do que o próprio presidente eleito.

Cinco anos depois, apoiado pela UDN e candidato pelo PTN, Jânio Quadros venceu com 5.636.623 votos, ou 48,26% do total. Jango, por sua vez, manteve a chama do trabalhismo ao assegurar a vice-presidência ao receber 4.547.010 votos.

Votar diretamente para vice-presidente tem uma desvantagem clara: você pode eleger um candidato diferente de outra chapa e transformar o país em uma usina de crises. Só que a legitimidade é incontestável. Sem os votos que recebeu das urnas, dificilmente Jango teria credibilidade para assumir o poder após a renúncia de Jânio.

Digo outra vantagem para os dias atuais: os partidos não passariam a tratar a indicação do vice apenas como mera barganha política. Existiria um estudo para o lançamento de um nome forte e capaz de se viabilizar eleitoralmente e bloquear a escolha de um vice oposicionista. Mais: poderia forçar o lançamento de novas lideranças políticas, que seriam preparadas para serem titulares nas eleições seguintes.

Pense: se a eleição para vice estivesse em vigor, você acha que realmente Michel Temer seria o indicado para concorrer na chapa com Dilma Roussef? Ou outros nomes peemedebistas de maior densidade eleitoral poderiam surgir?

Fato é que, com o sem eleição direta para vice-presidente não dá para o eleitor encarar a função como meramente decorativa. No que depender dos acontecimentos, o ocupante do posto pode definir rumos e destinos de uma cidade, estado ou país. Não é pouco.

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