Uma visão sobre a reportagem do Portal IG e o pavor de parte do povo evangélico com o debate

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O telefone tocou há duas semanas. Era uma repórter do portal IG. Queria uma entrevista. Seu tema era a existência de evangélicos que lutavam contra o preconceito e que desejavam a existência de uma visão mais social dentro das igrejas. Topei. Achei que seria salutar dar o meu ponto de vista.

Quando a matéria saiu publicada, fiquei feliz com o resultado, especialmente porque os outros dois personagens enfocados na reportagem mostravam uma visão complementar ao meu pensamento. A reportagem teve o mérito de exibir de modo cabal a existência de uma outra linha de pensamento. E que de modo algum conflitava-se com a bíblia sagrada e com os pensamentos de Jesus Cristo. ( A íntegra da matéria está aqui)

O que sinceramente não esperava era a repercussão da matéria. Lógico, muitas pessoas elogiaram e se sentiram representadas. Ou seja, são pessoas com ânsia de ver uma outra instituição com uma nova abordagem. Foi um alento.

Em contrapartida, a reação virulenta foi na mesma medida. Gente frequentadora das igrejas evangélicas e que se recusa a vislumbrar a realidade, de encarar o debate. Ou simplesmente de sentar e conversar para encontrar uma saída. Detalhe: as pessoas que nos criticam por enumerar publicamente os problemas, são as mesmas que no âmbito interno da igreja, sem mídia, testemunhas ou pessoas que não seguem o Cristianismo, ignoram o debate. Ou sufocam. O que é pior.

Como modelo desse perfil, escolhi uma mensagem que recebi de uma pessoa pelo serviço in box do Facebook . Não vou identificá-la, mas tenho certeza que parcela expressiva da seara evangélica escreveria a mesma coisa. Confira:

 “Podem surgir “modernistas”, “progressistas”, “liberais”, etc., mas a marca do verdadeiro discípulo do Senhor, em outras Palavras, do salvo, é amar ao seu Senhor e obedecer ao que Ele nos diz em Sua Palavra! O resto é papo furado, é “caminho que ao homem parece direito, mas cujo fim é morte certa”! (Provérbios 14:12). Que o Senhor te dê a lucidez e a sobriedade para despertar desse engano que você está vivendo, em nome de Jesus!”.

Em resumo: enquanto a diversidade de opiniões a luz da palavra não for aceita e compreendida a mediocridade irá prevalecer na igreja evangélica brasileira.   Principalmente porque líderes e fiéis tem pavor extremo da troca de ideias e do debate em alto nível. Preferem constranger a conversar. Uma pena.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

2 COMMENTS

  1. Então, a primeira parte do trecho da mensagem que vc recebeu, em minha opinião está perfeita.

    “Podem surgir “modernistas”, “progressistas”, “liberais”, etc., mas a marca do verdadeiro discípulo do Senhor, em outras Palavras, do salvo, é amar ao seu Senhor e obedecer ao que Ele nos diz em Sua Palavra! O resto é papo furado, é “caminho que ao homem parece direito, mas cujo fim é morte certa”! (Provérbios 14:12). ”

    O desfecho, que eu não repeti aqui, é que parece “não democrático” e até belicoso. Mas não vou dizer que a “a igreja brasileira é isso” ou os “evangélicos são aquilo” não há debate nisso, há mais rotulação e generalização. Às vezes sinto que alguns de nós rejeitam não o pensamento que julgamos errado, mas grande parcela dos que pensam assim. Isso não é igreja, seja de que lado parta isso, parece que fazemos discursos por ter vergonha de quem discordamos. Onde a amor nisso? Não existe esse “deles”. Somos nós, todos (e aqui obviamente estou excetuando heresias), com nossos problemas que, em minha opinião, deveriam ser resolvidos internamente e não pelo facebook, com quem não entende (não é cristão, ou qualquer nome que seja) do que estamos dizendo.

    Ler a palavra, pensar, tratar os outros com respeito, não é ser progressista. É seguir o que ele disse (amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos). Aliás, se ver diferente dos outros também não é. Ah, que se exaltar esses quesitos – novamente – amor incondicional ao Senhor, leitura e estudo profundo, meditação, respeito, amor ao próximo, seja ele quem for.

    Me perdoe, mas esse levantar, segmentar, já me soava revanchista antes mesmo de receber o golpe do outro lado. Só causa polarização e não conversa.

    Fui muito assim com relação a música da igreja. Me sentia orgulhosos de “não ser como aqueles que cantam músicas egoístas sobre promessas etc”. Orgulho de fazer o correto? Nesse momento o correto foi jogado no lixo.

    Talvez quem se vê munido da verdade, seja de que lado for (lado, que absurdo!) necessite de um pouco mais de didática pra falar ao outro. Que tal, ao invés dizer que todo mundo faz errado, exaltar o que é certo? Que tal “leia a bíblia” ao invés de “vc não lê, é burro”. Que tal “ame ao próximo, veja como ele precisa de vc” ao invés de “que absurdo vc ter preconceito”
    Pregamos a tolerância a quem discorda de nós fora da igreja, mas somos intolerantes (e mais uma vez, dos DOIS lados) com quem discorda de nós.

    O que me parece é que somos TODOS meninos, incoerentes, nécios, brigando entre si, enquanto lobos nos rodeiam esperando pra nos devorar. E nem atacar eles vão precisar. A gente já faz isso por eles.

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