Uma palavra de saudade sobre Tuca

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Comecei no rádio em 2004. Jogos de futebol amador, Copa São Paulo, tubos…Depois dos nossos chefes, acredito que não existam profissionais mais gabaritados para nos orientar do que os técnicos de som. Eles nos escutam desde o primeiro boa tarde até o encerramento da jornada esportiva. Alguns são explosivos, outros ranzinzas e mal humorados. Outros porém, com sua doçura e simpatia, abrem as portas para qualquer garoto que queira iniciar pelo mundo mágico do rádio e dos meandros do futebol. Injetam esperança, incentivo e apontam caminhos que muitas vezes parecem impossíveis de serem percorridos.

Assim era Tuca. Não era famoso do grande público, não comovia multidões. Era uma das poucas pessoas capazes de no primeiro toque perceber o estilo e o potencial da pessoa. Quando estive na Rádio Brasil entre 2008 e 2011, Tuca foi um dos primeiros a vaticinar que estava “condenado” a carregar a alcunha de ser um comentarista ácido e polêmico. Ao entrar no estúdio sempre vinha com a pergunta: “E aí, colocou açúcar no suco de limão?”, uma pergunta que era uma mistura de bom humor e dica. Ou seja: os fatos da vida merecem e devem ser corrigidos, mas um toque de bom humor nunca faz mal a ninguém.

Tuca era torcedor fanático do Guarani. Acompanhava e opinava sobre os destinos do time com propriedade. Interessante que não falava de grandes times do passado ou de jogadores que lhe cativaram a memória. Falava do futuro, preocupava-se com aquilo que os dirigentes faziam da grande paixão da sua vida.

Tuca demonstrou que o rádio pode ser uma usina para produzir gente boa, decente, de bom coração e de caráter inatacável. E que essas pessoas podem influenciar positivamente um ambiente muitas vezes marcado pela ambição sem limites ou um individualismo corrosivo. Tuca, com sua simplicidade, fez diferença e vai deixar saudades. Os ouvintes não sabem, mas pode ter certeza: eles sentirão falta. Uma pena.

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