Uma homenagem para Serginho, o campeão olímpico do Vôlei Masculino

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Por Júlio Nascimento*

Relutei, pensei, mas escrevi.

Era 24 de agosto de 2008. Tempos olímpicos. Eu tinha 12 anos e já uma paixão por histórias e estórias fora do comum. Mesmo assim, não acreditava em super-heróis. Não acreditava.

Naquele domingo, liguei a tevê para assistir a tal seleção de vôlei em busca do tri. O papo era o mesmo na escola, na padaria, na igreja e nas ruas: “se não ganha no futebol, ganha no vôlei”. Parecia simples. Pela frente a seleção norte-americana, ou melhor, os estadunidenses como gostava de falar minha professora Janete.

Assisti ao primeiro set e vi um Brasil dominante. Parecia fácil, entediante. Decidi trocar o jogo pelo videogame (talvez um dos grandes erros da minha geração). Uma hora depois, voltei. Quarto set. Os EUA estavam a quatro pontos do ouro. O Brasil abalado. Murilo, Gustavo, Dante, Rodrigão, André Heller, Bruninho e nem mesmo Giba respondiam. Apáticos. Temerosos.

Mas encontrei alguém diferente. E não só pela cor do uniforme.

Naquele camisa 10 eu entendi o real sentido de ser camisa 10. O nervosismo por não poder atacar. A garra ao buscar a bola na torcida. O choro ao colocar uma prata no peito. Inconformismo por não conseguir, mas cansado de tanto tentar. Um sujeito corajoso, ousado, com a postura de vencedor que contradiz o jeitão brasileiro de ser.

Curioso, pesquisei por sua história e trajetória. Conquistas, desafios, reprovação, lesões e superação de mais um negro da favela. Me deparei, pela primeira vez, com um super-herói. E assim como toda criança tentei imitá-lo (até que rendeu um títuluzinho no Fonte SP hehe)

Ontem, foi dia de ligar a TV para acompanhar a tal seleção de vôlei. E quando o jogo terminou, lá estava meu herói chorando de novo. De novo? Sim. Se despedindo da Seleção. Mas com a medalha de ouro no peito (mais uma). Porque os heróis sempre vencem no final.

Serginho é um ídolo que eu gostaria que meu filho tivesse. Talvez, não terá um igual pra se espelhar. Mas eu tive. E tenho muito orgulho de ter tido um ídolo como este sujeito. Como acho que todo brasileiro deve ter, afinal, é um nome histórico pro esporte mundial, dentro e fora do campo.

Talvez os mirins não tenham a dimensão exata do que ele significou e jogou de bola. Mas acreditem: foi uma barbaridade!

Não terei outro ídolo como o Escada, porque sua mistura de talento, personalidade, postura e carisma não permitem. E também porque não serei, nunca mais, um garotinho de 12 anos que fica se jogando na quadra e gritando SERGINHO!

Quando resolvi ser jornalista, impulsionado pelo físico (ou falta dele) que não me permitiam seguir no vôlei, um dos motivos era poder apertar sua mão. E consegui.

Você me faz ter orgulho de ser brasileiro.

Chega. Se não vai ser a minha vez de chorar se continuar falando dele.

(*artigo escrito por Julio Nascimento-apresentador e narrador da Rádio Central)

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