Uma análise sobre a conjuntura política atual. E que pode mudar

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Faço a exposição sobre a crise política hoje. E que pode mudar dependendo dos acontecimentos. Até porque nunca vi conjuntura tão complexa como a atual:

1- Na atual conjuntura, Dilma cai. Por margem estreita de votos na Câmara dos Deputados, mas cai. Vai embora do Planalto. Apesar do poder e da caneta, a presidenta encontrou na Justiça o seu adversário mais poderoso. O vazamento dos grampos telefônicos passou a impressão de que tanto ela como Lula não estão nem ae para os deputados e para os poderes constituídos. Gesto calculado de Sérgio Moro. Se é certo ou não, a história vai dizer.

2- Dúvida: a reação dos militantes do PT e dos movimentos sociais diante da queda da presidente. Para muitos isso pode ser interpretado como a expulsão do jogo político. A escalada de violência nas ruas fica com o flanco totalmente aberto. Inclusive com o indesejável registro de mortes.
Aqui e ali já verificamos episódios de agressão com pessoas com camisa vermelha. Caso ocorra a queda de Dilma, é preciso ocorrer uma sinalização da sociedade civil e do próprio mundo político de que, mesmo com a credibilidade desgastada, o PT e os partidos de esquerda ainda farão parte do jogo. Que seus militantes terão direito a livre expressão e exercício da cidadania.

Caso a criminalização vire realidade, a escalada de violência fica inevitável. Detalhe: nem pensem que a Polícia dará conta de uma revolta popular. Não dará. Melhor sentar, negociar e deixar a porta aberta.

3- Eduardo Cunha ganha força para se salvar. Denunciado por contas na Suíca, enrolado em diversos processos, o deputado nunca, jamais foi acossado de modo veemente pelos manifestantes. Diga-se de passagem: pelos dois lados.

Um porque só pensar em derrubar Dilma e prender Lula e o outro só pensa em defender o legado petista.
Detalhe: salvação feita com a concordância de líderes Evangélicos que em nenhum momento foram enfáticos na crítica aos métodos de Eduardo Cunha, que, segundo acusações, utilizou até uma Igreja para lavar dinheiro. Esse pode ser um dos vencedores da crise política.

4- Após a queda de Dilma e uma possível ascensão de Temer, teremos um período de euforia. Empresários devem voltar a investir, a classe média vai ficar feliz e realizada e a imprensa deverá passar a imprensa que tudo vai entrar nos trilhos.

Mas existe um componente escondido de todos: a inexistência de líderes políticos competentes e com visão de país e não paroquial.

Você tem todo direito de detestar Lula, mas deveria estudar e entender que ele, após as eleições de 1989, lutou para construir seu nome em âmbito nacional por intermédio das caravanas da cidadania. Deu certo.

Hoje, o quadro é desolador. Marina Silva tem duas eleições presidenciais no curriculo e não apresentou uma ideia sequer que inove e que traga esperança. José Serra teve um desempenho ruim como prefeito e governador e há muito tempo suas ideias e conceitos não empolgam; Dilacerado por denúncias de corrupção, mesmo na parte administrativa Aécio Neves deixou Minas Gerais quebrada. Jair Bolsonaro? Com apoio dos Evangélicos, seria um espiral de ódio, ressentimento, autoritarismo e visão turva da realidade.

Você pode colocar o nome de Sergio Moro na mesa. Que pode sair da Justiça e entrar na vida pública. Entrar no PSDB partido que militou seu pai. Alguns poderão evocar a parte moral. Ok, respeito. E a visão de país para cultura, saúde, educação, transporte, meio ambiente, cultura? Não, em determinados momentos não dá para esperar apenas do partido. O candidato, o político precisa demonstrar conhecimento amplo geral e irrestrito sobre os temas nacionais? Moro tem tal predicado? Não sei. Ou seja, dias sombrios pela frente.

5- Sociedade: Está em ebulição, pronta para protagonizar cenas de pugilato e de violência nas ruas. Isto não pode acontecer. No entanto, algo deve ser ressaltado: todo esse pano de fundo aconteceu também devido a falta de cultura política demonstrada por parte da população brasileira. Incapaz muitas vezes de interligar fatos, realizar analises históricas e tomar posições com base em informações construídas, formuladas e analisadas por suas próprias mãos e não por base em veiculos de comunicações.

Detalhe: aconteceu dos dois lados. Se aqueles contrários a Dilma tiveram o seu combustível os noticiários do jornal nacional não há como negar que a doutrinação dos favoraveis a Dilma veio por intermédio dos blogs progressistas. Lição: temos um longo caminho a percorrer antes da conscientização política total, geral e irrestrita.

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