Trabalhadoras domésticas recebem cidadania. E a classe média vai parar de exibir uma falsa riqueza….

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A principal noticia da semana foi a aprovação pelo Senado da PEC que concede direitos trabalhistas aos empregados domésticos. Uma justíssima reparação em país marcado por anos e anos de injustiça social. A alegria pela vitória é proporcional a revolta que encontra-se dentro da minha mente ao verificar os argumentos descabidos sobre a medida. Mais: alguns veículos de comunicação de âmbito nacional utilizaram um sensacionalismo barato para passar a impressão de que a medida foi descabida. Um absurdo.
Afirmam que a maior resistência está na classe média pois ela não terá condições de arcar com as despesas dos encargos trabalhistas.

Sejamos sinceros: em qualquer país civilizado, empregados domésticos são vitais apenas em caso de pessoas que gozam de excelente padrão de vida e contam com residências enormes. Ou seja, os milionários. No Brasil, infelizmente uma parte da classe média é dotada de uma preguiça assustadora para tarefas banais e ás vezes quer exibir status de modo desmedido por intermédio dos trabalhadores domésticos. Exemplo prático: se um casal mora em um apartamento, não tem filhos, qual o motivo para contar com uma empregada doméstica? Não seria o caso de dividir as tarefas e se for o caso executá-las ocasionalmente?

Bem, o raro leitor deve imaginar que sou a favor de empregadas domésticas em caso de casais com filhos. Sim, desde que possa cumprir a lei em vigor. Caso contrário, penso que o melhor caminho é engrossar o movimento para o funcionamento correto dos serviços públicos. Sim, porque se uma família de classe média não tem condições de arcar com as despesas, o correto é possuir a disposição uma creche pública decente, de qualidade e que funcione no horário de trabalho da mãe.

Assim como no caso de idosos, já passou da hora do Estado Brasileiro começar a pensar na proliferação de casas de repouso bem estruturadas e que possam atender a população. Afinal, pagamos impostos para sermos atendidos. Ah, as duas estruturas não existem? Simples: a classe média deve sair do seu casulo e protestar e reivindicar. Como os desassistidos fazem há décadas. E mais: não caia na lábia de que o desemprego vai aumentar no setor com os encargos. A economia brasileira é dinâmica suficiente para absorver essas trabalhadoras em outros postos de trabalho.

Só tenho uma certeza: o que não dava era nós, trabalhadores mortais, nos encontrarmos em uma categoria e as trabalhadores domésticos, em estágio inferior. Era uma vergonha. Ainda bem que isso faz parte do passado. Como também espero que a classe média brasileira pare de imaginar que encontra-se na Ilha de Caras.

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