Sobre o fim do blog do Azenha e a desunião da esquerda brasileira. Na política e na comunicação…

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Gosto de Luiz Carlos Azenha. É um jornalista respeitado, premiado e que fazia um trabalho interessante no seu blog Viomundo. Abriu espaço para movimentos sociais, gente que nunca seria ouvida na mídia. Mas Azenha e outros jornalistas progressistas que gosto e respeito não são heróis. São humanos. Erram. Cometem equívocos e avaliações erradas. Nem por isso deixam de possuir seu valor.

Faço esse preâmbulo para lamentar a decisão de Azenha de encerrar as atividades de seu blog. Está sufocado financeiramente em virtude das vitórias obtidas na Justiça por altos dirigentes da Rede Globo.
Tem família para sustentar. Precisa pagar contas. É direito legitimo resguardar-se.

No entanto, o ato merece reflexão. De vislumbrar uma velha máxima: o campo progressista brasileiro, seja na política ou na comunicação é de uma desunião absurda.

É só raciocinar. Alguns blogs – como os de Luis Nassif, Rodrigo Vianna, Altamiro Borges e Renato Rovai – adquiriram uma audiência espetacular. Por mérito e competência deles. E tais resultados possibilitaram a realização de três edições do Encontro de Blogueiros progressistas. Uma bela sacada.

Mas era preciso avançar. Seria de bom tom incentivar a formação de uma Associação de Blogueiros, que englobasse todos aqueles com ideário progressista e democrático, desde aqueles com audiência de 200 mil visitantes únicos por dia como aqueles com audiência pequena, de até 1000 visitantes únicos por dia. Para falar com todos, não basta olhar aos campeões, mas também com aqueles que desejam apenas fazer uma campanha digna.

Seria de bom tom uma associação para trocar experiências, formar um fundo financeiro de respaldo as lutas judiciais e automaticamente a designação de um departamento jurídico forte e com fôlego para disputar longas batalhas judiciais.
Concordo com meu amigo e jornalista André Lux. Certamente de modo involuntário, a luta tornou-se pulverizada e sem a união necessária.

Sim, porque inimigo é que não falta. Exemplo prático: digamos que em uma cidade do interior, a prefeitura não recebe criticas da imprensa local porque despeja milhares de reais nestes veículos de comunicação. Mas nesse local existe um blogueiro independente e como a única voz dissidente. No entanto, ele não pode ir mais a fundo nas investigações das mazelas do poder constituído porque não tem os recursos suficientes para pagar os advogados caso seja processado. Pergunta: a luta não seria mais palatável de encarar se estivesse sob o guarda chuva de uma entidade de blogueiros e com o devido respaldo financeiro e jurídico?

Não é hora de lamentos ou buscar inimigos na própria casa. É preciso humildade para sentar na mesa, reconhecer os erros, ajustar as diferenças e buscar uma união que certamente faria muitos estragos na seara adversária. Afinal, a batalha nunca termina, só muda de trincheira…

1 COMMENT

  1. Perfeito, Elias. Só acho que agora é um pouco tarde para tentar salvar a blogosfera. Muita gente já desistiu da luta por não contar com nenhum apoio. Infelizmente. E esses blogueiros “medalhões” só ajudam eles mesmos, não dão bola para os peixes pequenos.

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