Sobre o atentado na França e nossa obsessão pela perfeição divina…

janeiro 8th, 2015 | by Admin
Sobre o atentado na França e nossa obsessão pela perfeição divina…
Assuntos Gerais
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Teorias diversas foram estabelecidas para entender o atentado contra a revista francesa Charlie Hebdo e que culminou com a morte de 12 pessoas. Um crime que comoveu a França e todo o planeta e colocou os islâmicos em situação delicada. De um lado, algumas pessoas consideram que a publicação passou dos limites com as charges contra Maomé. Outros defendem o direito da Liberdade de Expressão. Nessa busca de culpados e inocentes perdeu-se um componente fundamental: as criticas direcionadas a qualquer religião só são mal digeridas porque quebra-se o conceito de perfeição acalentado por seus fiéis.

Em qualquer religião, o deus que é objeto de culto tem alcunha de um ser perfeito, impecável, sem mácula ou pecado. Isso vale para o budismo, Cristianismo, Judaísmo e o Islamismo. Automaticamente, mesmo que a pessoa considera-se uma pecadora, ela toma esse conceito para si e passa a se considerar superior a qualquer pessoa de outra religião e pelo motivo de ter encontrado a trilha correta para a redenção e a construção da vida e da perfeição eterna. Sim, porque não é incomum vermos também o Cristão considerar-se melhor do que um adepto da umbanda ou do espiritismo, assim que como outros participantes de outras religiões e os ateus pensam que estão em um patamar superior aos Cristãos. Dou meu testemunho: conheço pessoas Cristãs Evangélicas que consideram que apenas Evangélicos prestam e devem fazer parte do seu círculo de amizades. No fundo, o conceito é o mesmo do fanático islâmico, que não vislumbra outra forma de se relacionar socialmente a não que seja com os adoradores de Maomé.

Por isso, quando uma charge é direcionada a qualquer religião não é apenas a figura central que é maculada e sim o próprio adepto, que suga um pouco daquela “perfeição” no seu dia a dia e não quer ser contestado. Claro, um atentado deve ser condenado em qualquer cenário. Mas quantas pessoas evitamos conversar sobre religião no dia a dia em virtude da postura inflexível do interlocutor, que considera sua religião perfeita e sem mácula? Na verdade, bem ou mal, tal atitude é a prática de um “atentado” de convivência social.

O atentado em Paris é o alerta de que respeito, tolerância e compreensão do semelhante são conceitos que não podem ser desprezados. Para sermos respeitados e respeitarmos quem não concorda com nossas opiniões. Uma postura que também ajudaria a entender que o humor, mesmo aquele mal feito ou de péssimo gosto pode ser até criticado, apontado, mas nunca utilizado como argumento para atos insanos.

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