Sobre nossos conflitos com os volantes no futebol…

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Existe uma distorção no debate do futebol no Brasil. Muitas vezes, ao divulgar suas escalações, treinadores geram revolta em torcedores e cronistas esportivos pelo excesso de volantes no meio-campo. Não é difícil ser premiado com os xingamentos de retranqueiro, covarde e adepto do antijogo.

Falta uma leitura apurada. Dizer que um determinado jogador atua como volante não quer dizer absolutamente nada. Exemplo: se eu escalar um meio-campo com Ralf, Luiz Gustavo, Baraka e Alex (os dois últimos do Coritiba) eu estou sendo ofensivo ou defensivo? Se nada ocorrer de errado, o máximo que terá nessa formação são atletas com bom poder de marcação, mas incapazes de penetrar ou atuarem como elementos surpresas, o que vai sobrecarregar o trabalho do armador.

E se bancar a manutenção de Luiz Gustavo e escalar Ramires, Paulinho como volantes e mantiver Alex qual será minha postura no gramado? Boa parte das equipes europeias possuem um volante de contenção e volantes criativos, ou seja, capazes de assumirem o protagonismo do jogo. Como dizer que este time é retrancado?

Hoje dia, não basta olhar o número da camisa. É preciso assistir a treinos e jogos e verificar a dinâmica de jogo proporcionada por determinado atleta. Paulinho, por exemplo, é um atleta capaz de atuar como elemento surpresa e ser autor de gols decisivos, algo já feito no Corinthians e na Seleção Brasileira. Como posso dizer que ele é um clássico brucutu?

Eu, de minha parte, sempre que puder, farei uma distinção entre volantes defensivos e ofensivos. Queiramos ou não o futebol muda na velocidade da luz. Precisamos nos encontrar atentos.

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