Sobre Messi, Pelé e a disputa entre o sentido coletivo do Século 20 e o individualismo da nova era

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Participei e acompanhei uma discussão interessante sobre a colocação de Messi na história do futebol em relação de Pelé. Craques que eu estimo como Zico acham que o argentino tem condições de ultrapassar em genialidade o Rei do Futebol. É uma boa discussão com bons argumentos de lado a lado. Mas um start me chamou atenção para um detalhe: o modo como torcedor pelesista fala do Rei do Futebol com uma conotação coletiva e o adepto do genial argentino, mesmo sem querer, reflete os tempos individuais vividos no Século 21.

Pegue qualquer fã declarado de Pelé e veja que ele sabe declamar o time titular do Santos daquela época. Sabe na atualidade e sabia quando tinha 10, 12 anos. Por que? Desde a infância, o craque para entrar no imaginário coletivo de jovens e adolescentes precisava encontrar-se inserido dentro de uma estrutura, de uma formação classica. Era assim com o Cruzeiro de Tostão e Natal, o Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia ou máquina tricolor da década de 1970 liderada por Rivelino. Todos tinham um camisa 10, mas os outros não eram descartados. Pelo contrário.

E hoje? Sim, eu sei que torcedores de Arsenal, Manchester, Barcelona, Juventus, Chelsea e outros milionários clubes europeus tem a escalação na ponta da língua se forem provocados. Mas não é um comportamento natural e fácil de verificar em uma discussão de futebol. No máximo, o que existe é um escalonamento. No topo da pirâmide, dois ou três craques e o restante cai no esquecimento. No noticiário e no imaginário dos torcedores.

Perceba: o torcedor comum do Barcelona sabe pronunciar os nomes de Messi, Neymar e Suarez mas não inclui o time titular na decorada rotineira. Assim commo os fãs do Real Madrid declamam os nomes de Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema e por vezes deixa em segundo plano até atletas de bom quilate técnico como James Rodriguez.

Tudo isso é reflexo deste período em que o jogador de futebol foi elevado a um patamar tão grande de idolatria que nem precisa mais de um time para chamar de seu.

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