Sobre as “ameaças” de Silas Malafaia…

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Silas Malafaia tem apoiadores. Mas a oposição ao seu comportamento é enorme, inclusive dentro da seara Cristã. O novo capitulo de seu embate com a opinião pública partiu da divulgação de um vídeo em que ele conclama a plateia a evitar denúncias sobre pastores pilantras e de condutas errôneas. Afirma que a bíblia sagrada alerta sobre a irresponsabilidade do ato e que até pessoas morreram devido a tal atitude.

Compreendi perfeitamente a reação da maioria, que vislumbra no vídeo um atestado de impunidade. Sinceramente, não me espantei. Já vi o referido pastor e outros de púlpito utilizarem o mesmo discurso de púlpito. A única diferença é que ninguém filmava. Por incrível que pareça (e é), este artigo não vai desancar Silas Malafaia. Nada disso.

Quer apenas expor para aqueles que estão fora do contingente cristão, que ele é apenas mais uma vítima do modo de vida imposto aos lideres religiosos. Alguns conseguem sair do casulo e desfrutam da plena cidadania. Outros, no entanto, seguem dois caminhos: ou adotam um discurso raivoso, ressentido, vingativo e apelativo contra tudo e todos, sob o respaldo da bíblia, ou, na ânsia de cumprir os designos do evangelho, pregam a palavra e espalham as boas novas, mas vivem em um estado de extrema solidão, conflito externo ou de frustração por não conseguir cumprir o que se propõe. O sistema faz questão de atenuar ou até apagar a chama de Deus existente naquela pessoa.

Para que não fiquem dúvidas: a pessoa que se converte ao Cristianismo e posteriormente decide abraçar a vida pastoral, é ensinada a viver em guetos ou tribos. As pessoas confiáveis? As da igreja! As que podem prestar solidariedade? As da igreja! Fora da igreja? Simplesmente nada serve.

Dentro dessa dinâmica, os pastores, apesar de bem intencionados e focados na palavra de Deus, são envolvidos também em um gueto dentro do gueto. Eles só conversam, convivem, aconselham-se e estão ao lado de outros pastores. É como se as pessoas que estão nos bancos das igrejas, salvo raras exceções, fizessem parte de uma categoria á parte. Não são menores, mas não compreendem seus dramas e sofrimentos. Por isso, não são ouvidas, na maioria das vezes.

Automaticamente, eles só podem falar com outros pastores. Diante disso, quando acontecem casos de desvios, o raciocínio é estendido. Respaldado por versículos bíblicos, eles decretam que apenas outros pastores podem julgar e detonar seus semelhantes. São eles que conhecem os códigos internos e o peso da missão imposta por Deus.

Exemplo? O próprio Silas Malafaia que censura a crítica dos irmãos, foi um dos julgadores mais contundentes em relação ao pastor Caio Fábio quando este enfrentou problemas particulares. Na cabeça de Silas Malafaia ali não existia problema. Era um pastor detonando outro. Falavam em patamar igual.

Todo o episódio me faz chegar a uma conclusão: a igreja evangélica Cristã brasileira ganharia muito se os pastores tirassem de si o jugo de buscarem a perfeição. Que fossem líderes espirituais, mas antes de tudo humanos. Que tivessem a humildade de pedir ajuda ou socorro não só para gente influente ou pessoas que aparentemente tenham um super poder espiritual. Mesmo com a bíblia na mão e no coração, estivessem dispostos a aprender com o gari, pedreiro, eletricista, engenheiro, jornalista ou advogado. E entenda que todos podemos errar e estamos sim submetidos a cobrança de todos. Afinal, vivemos em sociedade. E nessa vida em sociedade somos humanos, submetidos a um único e justo e generoso Deus. Simples assim.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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