Sidney Moraes e o seu desafio: produzir um futebol de qualidade na Ponte Preta

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A Ponte Preta joga amanhã à noite contra o Audax no Majestoso e a duvida atormenta seu torcedor é a seguinte: o técnico Sidney Moraes terá capacidade de montar um esquema tático com um mínimo de coerência? Sim, porque aquilo que se viu diante do Botafogo de Ribeirão Preto foi estarrecedor: um time sem alma, fibra, inofensivo no ataque e desordenado taticamente. Algo admitido, aliás, pelo próprio goleiro e capitão Roberto.

Para quem acompanha a trajetória tática do futebol europeu sabe que ali atuar com três zagueiros é algo comum e corriqueiro. E por um simples motivo: o tempo de preparação é longo, é possível fazer ajustes, amistosos expõem as falhas de concepção e os jogadores tem uma cultura tática muito mais refinada que o atleta brasileiro.

Sim, não dá para tapar o sol com a peneira. Tite talvez tenha o único técnico nos últimos 10 anos que montou um time vencedor com um sólido posicionamento. Antes, apenas e tão somente o cruzeiro comandado por Wanderley Luxemburgo.

De resto, os outros treinadores sempre calcaram seu trabalho muito mais no aspecto motivacional e de tratamento com o grupo do que propriamente em um esquema de jogo diversificado.

Querem um exemplo atual? Gilson Kleina tem uma cultura de futebol extraordinária e geralmente os jogadores enaltecem muito mais a sua capacidade de aglutinação (o que é verdade) do que sua disposição em arquitetar um sistema revolucionário. Mesmo na Ponte Preta sua metodologia era simples: seu time montado na defesa, com marcação e posicionamento simples e apostava em ganhar seus jogos no erro do adversário. Nada espalhafatoso.

Ocorreu uma grande evolução, mas infelizmente o jogador brasileiro ainda não tem no geral e na média a cultura tática exibida por argentinos e uruguaios. Uma característica que se reflete nos treinadores, pois os argentinos tem mercado enquanto os brasileiros não conseguem emplacar um trabalho decente na europeu.

Então pense por um momento: Sidney Moraes tem pouco tempo de treinamento e sua proposta está fora daquilo que é exibido no futebol nacional. Querer algo refinado é um desafio e tanto não acham!? O esquema 3-5-2 pode funcionar? Pode, desde que o posicionamento fique mais focado no aspecto defensivo e na busca do contra ataque ou da bola parada. Trocando em miúdos: a fórmula de Muricy Ramalho de 2006 a 2008 no São Paulo. Fora disso, é arriscar-se sem necessidade.

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