Seleção Brasileira: a imprensa não pode baixar a guarda!

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A convocação da Seleção Brasileira transcorreu de modo tranquilo e mostrou uma imprensa apática, sem o espirito ácido costumeiro, o que é preocupante. Apesar de desconfortável para os profissionais envolvidos na cobertura do dia a dia, os conflitos entre a comissão técnica, jogadores e veículos de comunicação é parte essencial para manter a Seleção Brasileira em estado de alerta.

Perceba: nas cinco conquistas brasileiras, a imprensa nunca adotou um tom ufanista. Pelo contrário. Em 1958, o ceticismo partia principalmente da imprensa carioca, inconformada com o comando de Paulo Machado de Carvalho. Quatro anos depois, no Chile, a cobertura da Rádio Bandeirantes, comandada por Pedro Luís, era tão critica que ao conquistar o bicampeonato o então Marechal da Vitória gritou ao microfone de Silvio Luiz: “Engole essa Pedro Luiz”.

Na conquista do México, no dia do embarque da Seleção, Nelson Rodrigues dizia que a Seleção partiria para o seu exílio tamanha a gama de problemas gerados durante a preparação, especialmente com a saída de João Saldanha.

O jejum de 24 anos não fez a imprensa brasileira tratar a Seleção Brasileira de modo simpático em 1994. Pelo contrário. Nunca um técnico foi tão massacrado como Carlos Alberto Parreira. O programa “Apito Final”, comandado por Luciano do Valle era um festival de lamentos contra as atuações do escrete e a Folha de São Paulo tinha como  colunista Matinas Suziki Junior, que passou os dias da competição defendendo de modo enfático a escalação de cinco atacantes no time titular. O ressentimento foi tamanho que, ao levantar a taça, Dunga xingou repórteres fotográficos para registrar o evento.

Em 2002, a Seleção, apesar da campanha impecável, vinha sob clima de desconfiança por causa da exclusão de Romário e de derrotas inexplicáveis, como para Honduras na Copa América.

E hoje, existe motivo para um tom mais critico? Sim! A qualidade inferior dos reservas para defesa e ataque, a ausência de um período mais longo de treinamentos, a escolha de Júlio César como titular do gol, a existência de apenas um volante com características de contenção – Luiz Gustavo – são motivos suficientes para deixar todos os alertas. Afinal de contas, no Brasil, o ufanismo exacerbado nas tribunas de imprensa é o passo inicial para o fracasso.

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