Ricardo Gomes passa mal e está internado. Quem será o próximo?

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Escrevo este artigo as 20h31 de domingo, no meio do turbilhão da internação do técnico vascaíno Ricardo Gomes. Por um desses caprichos do destino, decidi acompanhar o clássico do Engenhão e deixei em segundo plano Corinthians x Palmeiras. Foi tudo muito rápido: o ex-zagueiro passou e rapidamente uma ambulância surgiu para transportá-lo e fazer o socorre. O diagnóstico é preocupante, pois é um AVC hemorrágico. Não podemos esquecer que há um ano o técnico passou por uma isquemia.

É fato triste, constrangedor, especialmente aos familiares, mas que remete a uma reflexão: até quando colocaremos os técnicos brasileiro nesse estado de pressão. Digo com segurança: em nenhum país do mundo, o treinador ganha tamanha importância como por essas terras. Em alguns casos é responsável por contratar, treinar, segurar jogadores indisciplinados e em alguns segurar a onda da diretoria quando existe atraso de salários. Para completar, nós, da imprensa somos implacáveis na cobrança e vamos além das atribuições referentes ao treinador. Em resumo: escalação e esquema tático deveriam ser os únicos objetos de análise, mas de certa forma ampliamos o leque e criamos um clima insuportável.

Ricardo Gomes luta pela vida, mas foi essa cobrança insuportável que destruiu o técnico Telê Santana, que retirou-se abruptamente dos gramados na década de 1990.

Percebam: o Vasco faz boa campanha no Campeonato Brasileiro e é o atual campeão da Copa do Brasil. Mas ainda está envolvido em dividas, alguns problemas de infra-estrutura e uma necessidade de títulos que nem um dirigente competente como Rodrigo Caetano não consegue segurar. Quadro também encarado por outros companheiros de profissão, como Tite, que é líder do Brasileirão e precisa matar um leão por dia para driblar as atitudes irracionais dos torcedores e provar o seu valor. É assim também com Celso Roth no Grêmio, Dorival Junior no Internacional, Muricy Ramalho no Santos…é uma máquina que produz dinheiro mas é capaz de destruir gente.

Fica a pergunta: Ricardo Gomes foi a vitima da vez. O que precisa acontecer para o futebol brasileiro mudar a maneira de encarar as funções e obrigações dos treinadores? É hora do mundo do futebol iniciar uma reciclagem.

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