Ressentimento: o obstáculo para tirar a Arena Única do papel em Campinas

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Apesar do despiste dos dirigentes, ainda permanece o sonho de uma arena única em Campinas. Matéria de minha autoria publicada  na edição de hoje no Jornal Tododia relata o encontro dos presidentes dos três clubes campineiros em São Paulo para fazer as tratativas iniciais, mesmo de maneira informal, a respeito do empreendimento.

O Red Bull tem interesse em viabilizar o negócio até para se estabelecer de vez na cidade. O Guarani sonha com um novo estádio que proporcionaria mais recursos para investir no Centro de Treinamento em caso de venda de todo o complexo do Estádio Brinco de Ouro. O entrave para o negócio fluir é o andamento da obra da Arena do clube pontepretano no local em que se localiza atualmente o Centro de Treinamento do Jardim Eulina. Tanto que o prefeito Jonas Donizete assinará na próxima segunda-feira um ato que determina a mudança de zoneamento do CT, o que na prática é o pontapé inicial para tirar o projeto do papel.

Existe um empecilho maior. Algo mais forte e que pode ser determinante para que a arena única fique apenas na prancheta de engenheiros e arquitetos: o ressentimento.

Nos últimos anos, tanto Ponte Preta e Guarani passaram por fases difíceis tanto dentro como fora do gramado e ao invés de imaginar que um rival fraco poderia ser a senha para o enfraquecimento do próprio clube, os dirigentes dos dois clubes aproveitaram para tripudiar e espizinhar, sem pensar de modo profissional.

Na década de 1990, a Macaca viveu uma grave crise financeira, mesmo quando o clube esteve sob o comando de um dirigente experiente como o advogado Pedro Antonio Chaib. Ao invés de se resguardar e adotar uma postura serena diante das dificuldades do adversário, o então presidente bugrino Beto Zini nunca perdia a chance de tripudiar sobre o rival. Em uma das passagens, ao ser perguntado se tinha passado por uma cirurgia cardíaca, o dirigente afirmou que não tinha “ponte nenhuma” em seu corpo. Dispensável.

Anos depois, quando o Guarani passou a viver a crise financeira que lhe conduziu a terceira divisão do Brasileirão e a Série A-2 do Paulistão, em diversas oportunidades, diversos negócios conjuntos estiveram para serem concluídos entre as duas equipes e a torcida pontepretana, ressentida com o posicionamento de dirigentes e torcedores bugrinos, conduziu um processo de pressão que quase culminou com o desmanche de acordos e inviabilidade de outros.

O que dizer então dos acontecimentos do dérbi do primeiro turno da Série B de 2011, quando um ato infeliz do locutor oficial da Ponte Preta provocou um incidente que gerou perda de mando de jogos para os dois clubes? Sem contar as brigas entre as duas torcidas que sempre trazem preocupações aos dirigentes e ao aparato de segurança pública.

Ou seja, antes de estabelecer e conversar  sobre a possibilidade de arena única, o caminho correto é que tanto dirigentes bugrinos e pontepretanos estabeleçam um diálogo maduro, acima das rivalidades. Uma conversa que produza procedimentos que em longo prazo viabilize o desarmamento dos espíritos das duas torcidas. Um papel que deve ser encampado pela imprensa esportiva, que precisa entender o futebol campineiro só será protagonista no cenário nacional com dois clubes competitivos.

É preciso parar com declarações off record que se determinado time parar suas atividades “não fará falta nenhuma”. O torcedor, na sua paixão, não tem qualquer problema em pensar dessa maneira. Para um profissional que tem uma noção mais ampla e plena do futebol, mesmo com sua paixão, não pode adotar tal postura.

Na atual situação, com tanta mágoa reunida de lado a lado, pensar em arena única é um novo argumento para criar mais confusão e ressentimento.Infelizmente.

 

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