Realmente queremos uma CPI da CBF?

0
19
Todo mundo só pensa em bola na rede. E pouco importa sobre o que rola nos bastidores

 

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) decidiu levar a frente uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar o envolvimento do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na partilha dos lucros da Copa do Mundo de 2014, uma denúncia feita pelo jornal Lance e que agora ganha ressonância. Já conseguiu 117 assinaturas e precisa alcançar o número mágico de 171. Desde já afirmo: sou ultra favorável à CPI. Um evento que vai durar 30 dias, envolverá 12 estádios, outras 32 cidades para receber as seleções, certamente exigirá dinheiro público. E o destino precisa ser investigado com lupa.

Um questionamento, porém, é necessário encaminhar: a sociedade quer realmente a CPI? Ela encara o futebol a sério, como fenômeno de massas e gerador de uma grande riqueza nacional?

Sinto possuir pessimismo neste tema. No Brasil, o futebol não é encarado como negócio e sim como uma grande brincadeira.

Pegue como referência os programas esportivos. Os campeões de audiência não são o Cartão Verde, da Tv Cultura, ou mesmo o Linha de Passe, da ESPN Brasil. O que prevalece são os informativos que encaram o futebol como entretenimento, que focam apenas o lado lúdico da modalidade. Por isso, Tiago Leifert, do Globo Esporte, é considerado um gênio enquanto que Juca Kfouri é apenas um mal humorado de plantão. Independente se suas denúncias forem verdadeiras. Importa manter o espetáculo em pé.

O povo brasileiro bate no peito e afirma que futebol é patrimônio nacional. Porém, se seu clube  encontra-se em primeiro lugar, conquista vitórias e levanta títulos, pouco importa se aparecerem denúncias de enriquecimento ilícito por parte de dirigentes. Em resumo: se levarmos a ferro e fogo, não é apenas Ricardo Texeira que deveria sentar no banco de réus. Nós, torcedores, também deveríamos sentar. Pelo crime de omissão.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here