Querem mudar o modo de escolher deputados e vereadores. Para variar, não somos consultados. Até quando?

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No meio da reforma da previdência, terceirizações e escândalos da carne avança no Congresso Nacional uma proposta de reforma política. A tentativa é aprovar tudo até o começo de outubro para que tudo esteja em vigor em 2018. Na prática, o atual método de eleição de deputados pelo voto proporcional e quoficiente eleitoral será substituído pelo voto em lista.

Ou seja, o partido faz uma relação de candidatos e por prioridade e dependendo do número de votos elege os seus representantes. Exemplo: o partido apresenta 10, 15 nomes mas tem votos suficientes para cinco eleitos. Diante disso, só os cinco primeiros estipulados pela lista entrarão. Em longo prazo, é implantar o voto distrital misto alemão, em que metade seria eleito por lista e outra metade por lista, o que para alguns fortaleceriam as legendas.

Como seria? Simples: São Paulo hoje tem 70 deputados e digamos que 35 seja por esse método, o distrital. Assim, cada distrito elegeria um deputado. Ou seja, um eleição com cara e característica de majoritária.

Particularmente, acredito que o melhor seria o sistema misto, mas com uma metade eleita pelo atual sistema e outra metade com distritos. Tanto a sociedade como o próprio sistema partidário brasileiro não estão preparados para o voto em lista. Os partidos, todos, estão cheios de caciques e dificilmente surgiriam novas lideranças “abençoadas” pelos caudilhos. Escolha qualquer um para designar a alcunha: Lula, FHC, Alckmin, Carlos Luppi, e por ae vai.

Mais: além de debater a mudança do sistema eleitoral, é de bom tom enfatizar uma mudança de foco da população para a eleição parlamentar. Na prática, de dois em dois anos, passamos 99% do tempo dedicados para elegermos o prefeito, governador e prefeitura e não damos a mínima para vereadores, senadores e deputados federais e estaduais.

Não conhecemos seu programa, atuações, como opinaram em votações decisivas e qual será a sua linha de atuação. Ou se será um deputado apenas de opinião. O que também é louvável. Quer uma prova? Tente relembrar para quem você votou para presidente, governador e prefeito. Tenho certeza que a memória não falhar. Já no caso dos parlamentares, o caso será bem diferente.

Assim como acontece nos últimos tempos, cometemos o erro de realizarmos mudanças a toque de caixa, sem discussão, troca de ideias ou debates. Duro será quando a fatura aparecer. Temo que a democracia brasileira não suporte a carga.

(Elias Aredes Junior)

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