Querem limitar a meia entrada. E a formação do público? Deixa para lá…

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Escrevo este texto antes do Congresso Nacional analisar na tarde desta terça-feira o projeto de lei que limita a concessão da meia entrada. É um tema controverso. Alguns produtores culturais reclamam que a quantidade de entradas com desconto vendidas não deixam outra alternativa senão a de fixar um preço exorbitante para as entradas inteiras. Pelo novo projeto, seria reservado um contingente de 40% de ingressos de meia entrada para shows, cinemas, teatros, jogos e eventos esportivos. O benefício, para estudantes e jovens de baixa renda, deve ser estendido para idosos e pessoas com deficiência.

Uma amiga fraterna tem um posicionamento claro sobre o tema. Participante do universo cultural, ela considera o tema secundário, pois o foco deveria ser o de atrair um público maior ao teatro.

Além disso, falta consciência maior sobre os custos que envolvem a produção de uma peça de teatro, como a contratação dos atores, pessoal de apoio, assessoria de imprensa para divulgação, entre outros pontos. Pior: muitas vezes a bilheteria não cobre os custos e o jeito é apelar aos patrocinadores, rápidos em acionar a Lei Rounet.

Um ponto não está sendo discutido, que é a preocupação com a formação de público para o teatro e outras formas de manifestação cultural. Ter acesso a produtos é vital e essencial para a formação intelectual de qualquer aluno de universidade, seja de Farmácia, Medicina ou Direito. Fornece lastro e uma visão de mundo mais apurada.

Pelo que acompanho, são poucas as universidades que se preocupam em incentivar seus alunos a degustar um produto de qualidade dentro das dependências do estabelecimento. Exemplo clássico: uma universidade privada de grande porte não teria condições de pagar o cachê de artistas renomados e fazer uma exibição de uma peça aos seus alunos. Quantos adotam tal procedimento? Poucos. Resultado: os alunos reservam seus parcos reais ou para desfrutarem de festas de confraternização com duração infinita ou empunham a carteirinha de entidades estudantis para terem acesso a peças de teatro ou cinema. Como disse essa mesma amiga: ”Quando o teatro for essencial para a vida das pessoas, extingue-se a necessidade de meia entrada”. Pois é.

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