Quer ser bem recebido em uma Igreja Cristã Evangélica? Tenha dinheiro!

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Aviso logo de cara: o artigo é duro. Durissimo. Mas é a pura expressão da verdade. E aproveito para fazer uma mea-culpa. Chego a conclusão que meu falecido pai tinha razão em várias das criticas que dirigia as Igrejas Cristãs Evangélicas. Não na forma de culto ou relacionamento com Deus. Isso é individual e ainda discordo de sua vidão. Nas relações de poder, no entanto, a avaliação não poderia ser mais certeira e real. No fundo, no fundo, a queda de credibilidade das Igrejas Cristãs Evangélicas na sociedade tem relação com a adoção de critérios que ninguém esperava que ela adotasse, abraçasse e defendesse com unhas e dentes.

A expectativa era de que a Igreja Cristã Evangélica fosse o local da igualdade de fato e de direito. Pedreiro, carpinteiro, mecânico, engenheiro…Independente da formação e do grau de poderio econômico, todos teriam importância e se depender do caso ganhariam os cargos mais elevados na estrutura eclesiástica. O testemunho, o compromisso com Deus, a profundidade no apego a Palavra de Deus seriam requisitos desejados.

Não são. O poder econômico e o status social tomaram a linha de frente em praticamente todas as denominação. O dinheiro e a força econômica se transformaram em moeda de troca para os dois lados, tanto para o fiel como para o pastor, apóstolo ou bispo. O dízimo não só transformou-se em discurso central de pregações de algumas denominações como o caminho para um discurso manipulativo e voltado a perpetuar poder e influência.

Frequentei quatro igrejas na minha vida e posso dizer que apenas na última os digamos “poderosos” não tinham preferência na condução dos acontecimentos cotidianos ou ditavam as medidas a serem adotados pelo pastor.

Sendo assim, não é esquisito que pastores e até frequentadores queiram atrelar aquilo que acontece no púlpito com o exercício do poder, seja no poder legislativo, executivo ou judiciário. O parlamento ou o gabinete se constituem em caminhos para ter acesso a mais poder, dinheiro, influencia e mais instrumentos de manipulação.

Não é estranho que Eduardo Cunha, acossado por denúncias de corrupção, tenha alguns pastores midiáticos como escudo de proteção. O interesse é mutuo. Um quer um contingente de formadores de opinião para lhe ajudar. O outro lado quer poder e dinheiro.

Desde criança, aprendi que não existia nada mais simpático e agradável do que ser recebido como visitante em uma igreja evangélica. Ainda continua uma atitude em alta. Mas devemos reconhecer: encontrar-se com a bíblia na mão e a carteira cheia ajuda mais do que podemos imaginar.

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