Quem vai pagar a fatura de Eduardo Cunha nas Igrejas Cristãs Evangélicas?

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Toda pessoa tem direito a defesa. O que não dá é ignorar fatos. Consciente da gravidade das denúncias contra o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o PSOL entregou nesta terça-feira ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados uma representação para pedir a cassação do mandato do peemedebista por quebra de decoro parlamentar.

Denunciado ao STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de ter recebido US$ 5 milhões em propina do esquema investigado pela operação Lava Jato, na última semana Cunha teve seu nome ligado a contas secretas na Suíça.

De acordo com informações veiculadas na imprensa, o Ministério Público da Suíça informou à Procuradoria brasileira que Cunha foi investigado naquele país por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção, e que os valores depositados nas contas foram bloqueados. A investigação suíça já está no Brasil.

Com fatos tão fortes é hora e vez de analisar o papel dos Cristãos Evangélicos neste enredo. Cunha deve seus 232 mil votos a avalanche de pastores e líderes Cristãos promovido no Rio de Janeiro e que depois esticou para o Brasil e assim viabilizou sua escolha como presidente da Câmara dos Deputados. Ninguém teve pudor de pedir voto ao nobre deputado. Como dizer agora que não tem responsabilidade por utilizarem o poder e a influência que possuem para catapultarem o triunfo de um parlamentar?

Nos últimos anos, a ordem dada dentro das Igrejas Cristãs Evangélicas é que a acusação comprovada de um “Crente” famoso, a ordem era o silêncio e orar. Nada de indignação. Nada de inconformismo pela utilização das Igrejas Evangélicas como máquina eleitoral. Tudo embasado na Bíblia. Não era para “escandalizar”. Como se o escândalo já não tivesse acontecido. Imagino qual seria a reação destes líderes Cristãos Evangélicos se Cristo repetisse a cena de ira contra os vendilhões do templo. Se bobear, eles é que pediriam sua crucificação.

Eduardo Cunha não pode ser o vilão solitário. Ele é a peça de uma engrenagem de uma máquina que conta com frequentadores alienados, despolitizados e sem cultura política, pastores sem pudor de utilizar o púlpito para angariar poder e um estranho corporativismo, cuja norma é proteger mesmo se a corrupção estiver comprovada.

Um coquetel que traz como efeito colateral a desunião das Igrejas Cristãs Evangélicas. Simples: cada púlpito é utilizado para valorizar determinado candidato e no final das contas, salvo raras exceções, cada um protege o seu interesse. Evangelho? Tudo fica em segundo plano. Detalhe: os mesmos comandantes que arrebentam Lula e Dilma ficam em silêncio sobre Eduardo Cunha. Ou se fingem de mortos. Silas Malafaia agora diz que não tem a ver com o assunto e condena o deputado. E as denúncias anteriores? Ele esqueceu?  

Providências? Que em 2016 igreja nenhuma apoie candidato a prefeito ou vereador e que o altar seja apenas para pregar a Palavra de Deus e que do lado externo do templo exista respeito a qualquer posição ideológica. Acalento a expectativa, mas o sentimento vai embora ao lembrar de uma pequena expressão: “Ah e os interesses…”. Pois é. 

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