Quem disse que jornalista esportivo só pode falar de futebol?

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O Brasil é um celeiro de preconceito. Gostamos de definir comportamentos, padrões e ideias. O que fugir disso é condenação na certa. Querem um estigma padrão? Jornalista esportivo só pode falar de futebol ou de outros esportes. Não tem moral para falar política, economia, cultura e outros assuntos. Seria como se a sociedade enviasse um recado: “Vocês são profissionais menores, diminutos e por isso não podem interferir na vida civil nacional”. Mas percebam que o contrário acontece com naturalidade. Jornalista de economia pode escrever crônica sobre futebol. Quem atua no setor de cultura pode cobrir jogo sem qualquer problema. Aliás, em muitas redações espalhadas pelo país existe uma frase chavão de que “futebol é fácil” de acompanhar. Ou seja, qualquer um faz. Ledo engano. Descobrir uma matéria diferente, um ângulo diferenciado todos os dias é um desafio que instiga seu crescimento profissional. Só para constar: Marcelo Rezende e José Luiz Datena, dois apresentadores de programas polícias com grande índice de audiência foram jornalistas esportivos de alta estirpe.

Não vou negar: nós, cronistas esportivos, colaboramos para esse estereótipo. No dia a dia, nos restringimos a consumir praticar só o noticiário do futebol e não damos bola para aquilo que ocorre no país, no estado ou mesmo na nossa cidade. Parece que o mais importante é o que acontece dentro das quatro linhas e nos bastidores.

Quando alguém, como neste nobre escriba, ousa opinar sobre o tema sempre é censurado, seja nas redes sociais ou até em conversas informais.

Bem, para quem não sabe, desde cedo, além do futebol, militância sempre esteve na minha formação. No colegial feito na Escola Cyro de Barros Resende, em Valinhos, participei de grêmio estudantil e ao chegar na Faculdade de Jornalismo na PUC-Campinas, apesar de nunca ter integrado formalmente, sempre me interessei pelos trabalhos do Diretório Central de Estudantes (DCE). Após a formatura, em 1994, trabalhei em editorias de esporte, mas também cobri Cidades, Política, Suplemento Infantil e o setor de Educação. Posteriormente, trabalhei registrado no Sindicato dos Eletricitários por seis anos , Sindicato dos Servidores Públicos Municipais por seis meses e há seis anos presto serviço para os Eletricitários. Pergunto: será que mesmo assim só devo falar de futebol? Alguns conceitos beiram ao absurdo.

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