Que Natal desejamos? Para poucos ou todos?

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Todos os anos eu já estava ciente: o CD natalino da Simone tocaria em casa. Envolvida com dois empregos, minha mãe aproveitava o período anterior ao dia 25 de dezembro para celebrar a vida. Ligava para amigos e parentes para desejar um Feliz Natal; preparava uma ceia para que degustássemos ou comparecia aos eventos feitos pela sua família ou por parentes de meu pai. Sua alegria emendava com o ano novo, em que fazia questão de pegar o ônibus, viajar mais 400 quilômetros e desembarcar com a família em Guarantã, terra da minha avó paterna. Ali, toda a família ficava reunida. Mais de 40, 50 pessoas em comunhão por quatro, cinco dias. Gente que aparecia até no dia 01º, não só para ver minha vó, como também reencontrar gente querida e afastada nos outros 11 meses do ano.

Não me importava em ficar afastado dos amigos, porque sabia que eles tinham roteiro parecido. Reuniam-se com parentes às dezenas e centenas. Não sei, eram outros tempos.

Hoje, claro, óbvio, que existem reuniões familiares na época de Natal. A impressão que temos é a diminuição da comunhão, da solidariedade. O que antes era uma reunião de 100 pessoas, virou um evento para 10 ou 15 pessoas. Quem antes tinha filhos e pretendia reunir-se com os filhos de primos ou até de seus irmãos, não fica triste se o encontro não for realizado. A família, aos poucos, torna-se um núcleo fechado, que não interage. O Natal também começa a demonstrar a faceta daquilo que vivemos no dia a dia: uma sociedade bruta, cruel, distante, fria e que resvala no individualismo.

Se perguntassem a Jesus Cristo como ele queria a comemoração do seu aniversário, tenho certeza que ele dispensaria a mesa farta, os presentes, o consumismo e pediria apenas um presente: que as pessoas tivessem prazer em conviver com as outras. A gente não pode perder a esperança. Apesar de tudo, Feliz Natal!

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