Qual a nota da Ponte Preta no Campeonato Brasileiro?

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Após o encerramento do Campeonato Brasileiro é normal um período de análises e retrospectivas. A Ponte Preta não foge de tal constatação. Ao terminar na 14ª posição com 48 pontos, a equipe campineira gerou sentimento de frustração em boa parte de seus torcedores, que desejavam encerrar a divisão de elite na antiga zona de classificação da Copa Sul-Americana. A conclusão é apressada e uma análise apurada dos fatos mostra que a campanha esteve longe de ser decepcionante. Pelo contrário.

Devemos lembra que a Alvinegra iniciou o Campeonato Brasileiro com dois traumas nas costas: a eliminação nas semifinais do Paulistão para o rival Guarani e a saída de Renato Cajá, principal articulador do setor de criação. De quebra, a Macaca sofreu ainda com o excesso de apostas da diretoria. Quando esteve para estrear contra o Atlético Mineiro, o máximo vislumbrado pelo torcedor foi  alguma perspectiva no futebol da “República de Mogi Mirim”, formada pelo lateral-esquerdo João Paulo, os volantes Baraka e Renê Junior e o zagueiro Tiago Alves. Quando a bola rolou, o então técnico Gilson Kleina mostrou por A mais B sua estratégia de jogo: marcação forte em todos os espaços do campo e uma saída rápida no contra-ataque para aproveitar as características de Roger, Rildo e Luan.

Aos trancos e barrancos, a Alvinegra terminou na 13ª posição com 23 pontos. A construção de boa campanha parecia solidificada, quando o revés aconteceu: a saída de Gilson Kleina ao Palmeiras. A diretoria pensou rápido  e contratou Guto Ferreira para as 11 rodadas restantes. O inicio fora de casa foi desastroso e a falta de padrão de jogo e especulações sobre a dificuldade de relacionamento do elenco com a nova comissão técnica fizeram com que este próprio colunista pedisse a cabeça de Guto Ferreira, especialmente após a derrota por 3 a 1 para o Sport, na Ilha do Retiro.

Na rodada seguinte, a virada: um time determinado e guerreiro ganhou do Santos por 1 a 0. A partir daí, abriu-se o caminho para a soma total de 25 pontos no returno e o desempenho final no Brasileirão. Por todo o cenário descrito, não temo em dar uma nota 7 para a campanha da Ponte Preta. Não é fácil entrar em um campeonato com orçamento de R$ 1 milhão/ mês e sustentar-se no meio de gigantes com orçamento oito vezes maior. O trabalho foi bem feito e merece reconhecimento.

Ajustes são necessários. A Ponte Preta não pode ficar eternamente dependente de “apostas” para que tudo dê certo. É preciso definir um perfil mais adequado á sua realidade. Contratar jogadores de destaque nas equipes pequenas do Campeonato Paulista é o caminho. Para terminar, a média de público de 6238 pagantes está muito aquém de uma equipe de massa como a Ponte Preta. Só como comparação, basta dizer que o Figueirense, rebaixado, teve média de público de 7.999. O Majestoso deixa a desejar em alguns quesitos? Com certeza! O que vale um estádio sem as condições ideais perto do conforto de disputar a primeira divisão? Que em 2013, a nota pontepretana seja maior.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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