Protesto no RJ: Luiz, o fotógrado, está são e salvo. Até quando vamos brincar com o perigo?

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Não adianta: o sofrimento só desperta quando está próximo da gente. Não adianta assistirmos repressões policiais por 300 vezes sem ao menos identificar um conhecido, um parente que seja. Só a identificação com nome e sobrenome torna a teoria, o discurso em algo prático, palpável, dolorido.

Vivi tal experiência em cores vivas. Luiz Roberto Lima é seu nome. Tem como oficio a de repórter fotográfico. Dos bons. Aliás, bom não, excelente.

Tem uma qualidade rara: transmite sentimento por intermédio de seu trabalho. Capta expressões, posturas, reações das pessoas em situações das mais diversas. Pode ser em um jogo de futebol, na manifestação da esquina ou no choro de uma criança clamando por atendimento. Por diversas vezes me peguei em dúvida, perplexo e perguntava a mim mesmo: como ele captou tudo isso? Que foto é essa rapaz!? Por mais que disfarce, Luiz é protagonista em sua profissão. Um anônimo que brilha, reluz a cada flash, a cada clique.

Mas somos pegos de surpresa pela vida. Era domingo e após passear por casas de parentes acompanhei pelo rádio os protestos e as manifestações pelos gastos de estádios para a Copa do Mundo. Direito legitimo, limpo, assegurado pela constituição. No entanto, a manifestação era surrupiada e reprimida pela Polícia Militar e a Guarda Nacional. No fundo, estavam ali para colocar um véu de hipocrisia que acoberta as falhas de Cabral, Dilmas, Marinas, Aécios, Cabral e toda sorte de políticos espalhados pelo Brasil. Independente de partido.

Nesta busca incessante pela montagem de uma farsa, de uma ficção forjada nos bastidores, vitimas foram caindo pelas ruas. Vi dezenas, centenas de fotos e lógico, a perplexidade tomava conta.

Até que em uma fração estava ele, Luiz, o fotografo, aquele com quem convivi em breve período da vida. Naquele registro estava caído, derrotado, ferido na alma e no corpo. Pior: com seus algozes lhe virando as costas. Foram poucos segundos, mas suficientes para doer e perceber como existe uma inversão de valores reinante no Brasil.

Algo que precisa acabar pelo bem da democracia. Precisa acabar para que possamos discutir em alto nível, sem revanchismos, mágoas e para frente. É hora de encontrar uma maneira de sairmos as ruas e realizarmos uma autocritica. Admitirmos nossas falhas pelas mazelas do país mas gritar, clamar, apelar por uma mudança de rumo. E colaborar dentro das regras por este novo momento.

O petista, tucano, partidário do rede, do Dem ou do PSB tem apenas uma visão diferente de país, o que na maioria das vezes não tira sua sensibilidade.

É preciso estender a bandeira branca e ao invés da raiva e do ódio, que o dialogo prevaleça. Porque hoje respiro aliviado. Luiz, o meu amigo, está são e salvo e sem nenhuma sequela. No entanto, poderia ser diferente ou pior. Ou esperamos o primeiro cadáver esticado na rua para estender a mão ao próximo? Que a coerência e a sensibilidade dos governantes seja recuperada. E que a democracia seja exercida de modo pleno e saudável. Não custa sonhar.

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