Profissionais da bola dizem que valorizam o trabalho da imprensa. E você acredita em todos…

0
13

Era uma quinta-feira à tarde. Fui incumbido pelo jornal Tododia de realizar uma matéria diferente para a estreia da Ponte Preta na divisão de elite em 2012. Horário apertado, cumprimento de prazos e fechamento no gargalo. Pedido feito no final da tarde. O quadro parecia dramático. Encontrei com Gilson Kleina após o treinamento e fiz o pedido. Reconheci que estava fora do cronograma e se recusasse entenderia perfeitamente. Sua resposta: “Sem problema. Te atendo amanhã pela manhã com todo o prazer”. Assim foi feito. Conversamos por mais de duas horas sobre estratégias, futebol, a perspectiva do Campeonato Brasileiro de 2012. Tudo limpo, transparente, sem amarras e estrelismos.

Corte para alguns meses antes. Decisão do Campeonato Paulista. O Guarani estava na crista da onda e existia uma dúvida sobre o local do primeiro jogo. Peguei meu celular e liguei para Oswaldo Alvarez, o Vadão. Eram 21h30. Não atendeu. Após 30 minutos, toca meu telefone. Era ele. Queria saber o que tinha acontecido. Fiz a pergunta sobre o impasse do jogo. Ele respondeu, agradeci  e terminei a reportagem.

Reviravolta no tempo. Março deste ano. Guto Ferreira era pressionado de todas as formas na Ponte Preta. Sua demissão parecia uma questão de tempo. Em conjuntura normal, não falaria com a imprensa, sequer em coletiva. Surgiu uma emergência. Notícias e insinuações pesadas contra ele. Peguei o telefone e entrei em contato. Ele atendeu e por 20 minutos teve uma conversa franca e sincera. Deu sua versão e esmiuçou alguns fatos. No dia seguinte, encontro Guto Ferreira no estacionamento do Majestoso. Não veio me cobrar ou fazer retaliação. Só perguntou: “Deu certo? As respostas ficaram boas para você?”.

Porque faço todos esses relatos? Simples: títulos, conquistas, glórias, medalhas, troféus, bajuladores e outras armadilhas da vaidade e do destino são insuficientes para apagar quando o profissional da bola considera que seu relacionamento com a imprensa é apenas necessário. Se puder dispensar, melhor ainda. São poucos aqueles que vislumbram o profissional de imprensa com o ser humano e não o microfone que ele empunha.

Os tempos mudaram. Não sei para melhor ou pior. O fato é que hoje, em épocas decisivas ou de definição de campeonato existe uma hierarquia de importância. Não tem jeito. É o prefixo, a audiência que vai determinar quem terá direito ao deleite de ouvir os “protagonistas do espetáculo”. Quer ouvir seu craque preferido, o técnico do seu coração? Então pare de acompanhar o veículo de comunicação de audiência mediana e acomode-se entre as milhões de pessoas que ficam alegres com o monopólio de uma ou duas emissoras. Essa é a nova lei: para os gigantes tudo; para os pequenos, a fome e a morte.

Ah! E tem mais: se ele não atender ninguém, fique tranquilo: o astro da bola vai dizer que a culpa é da assessoria de imprensa e não da sua postura. Um dia muda.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here