Por que pastor evangélico não tem piso salarial?

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Alguns temas são considerados  tabus dentro do segmento evangélico. A falta de debate atrapalha o desenvolvimento de uma pregação e uma arregimentação de fieis mais eficiente e com transmissão de valores condizentes dentro da daquilo que sonhamos e pensamos. Dentro desse contexto cabe a pergunta: por que pastores não tem piso salarial? O que impede?

Hoje temos quatro grupos distintos de líderes: o mais restrito são formados por pessoas que são sustentados por suas igrejas com salários de padrão de executivo (de R$ 10 mil a R$ 100 mil mensais) e com direito a todo tipo de mordomia: casa, pagamento de contas de água e luz, quitação de plano de saúde dele e dos seus familiares, entre outros benefícios. São tratados como pop star´s e comportam-se como tais. Inclusive residindo em condomínio fechado.

O segundo grupo é considerada a classe média do pastorado. Ganham salários de até R$ 10 mil mensais e dependendo da denominação também recebem os mesmos benefícios das “celebridades” pastorais. Em contrapartida, são submetidos a um plano de carreira, em que metas, resultados e objetivos são traçados. De certa forma são tratados como “vendedores da fé” porque a mensagem a ser transmitida tem que se transformar em um número relevante de fieis sentados todos os domingos nas igrejas.

Ainda temos um terceiro grupo. São pastores, mas ganham um salário mediano (de até R$ 1 mil a R$ 1,5 mil mensais) e algumas vezes tem uma outra profissão para complementar a renda. Geralmente são pastores de bairros, preocupados em interferir positivamente na comunidade.

No entanto, dá para apostar que estes três grupos são menores ao realizar  o balanço geral. A maioria dos pastores infelizmente exerce sua missão ou sem ganhar um tostão sequer da denominação ou ganham apenas o suficiente para cobrir os custos com gasolina. Ou seja, uma quantia que não passa de R$ 250 ou R$ 500 mensais.

Muitos dedicaram-se ao curso de teologia, não possuem outra formação e são submetidos a um malabarismo financeiro absurdo para deixar as contas em dia e proporcionar qualidade de vida mínima para sua família. Detalhe: esses pastores, mesmo com tantas dificuldades, em um ato de fé e determinação nunca deixam de entregar o dízimo.

Pergunta: o que impede as entidades representativas dos pastores no Brasil formular um código com regras mínimas para a sobrevivências desses pastores? O que impede igrejas com 10 mil, 20 mil, 30 mil membros enviarem missionários para outros locais do Brasil e pagar pelo menos um salário mínimo (R$ 724)  aos seus subordinados? Penso que Deus não faz acepção de pessoas. Deseja que todos vivam bem. Hoje, infelizmente, alguns líderes vivem em um paraíso infinito enquanto a maioria precisa pegar as boas novas envolvido por um inferno financeiro. Isso tem que acabar.

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