Por que os torcedores dos clubes médios e pequenos sumiram dos estádios no Brasileirão?

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Com 16238 pagantes por jogo, a média de público do Campeonato Brasileiro deixa a desejar. Poderia e deveria ostentar médias no nível dos principais torneios europeus. Seria loucura ignorar a atração gerada pelas novas arenas para a Copa do Mundo. O que ninguém poderia imaginar é que tal resultado poderia ser melhor se alguns fatores fossem combatidos de modo veemente e jamais de modo superficial.

Este blogueiro fez um levantamento com as médias dos 20 clubes participantes da divisão de elite. Ao separar o grupo dos gigantes e dos médios chegou a números reveladores. Ao se levar em conta os jogos disputados em casa pelos 11 clubes grandes do futebol brasileiro, a bilheteria registrou 1.592.675 pessoas em 78 jogos, o que faz com que a média de público fique em 20.418 pagantes em média por jogo. Mas dá para dizer que Palmeiras (266.143 pessoas em 8 jogos), Flamengo (196.330 em sete duelos) e Corinthians (187050) são responsáveis pela inflação desses números. Que poderiam ser ainda melhores se Vasco (55824 torcedores em sete jogos) e Santos (47.244 em sete jogos) não apresentassem resultados tão decepcionantes.

O rendimento pífio nas arquibancadas fica por conta dos 9 integrantes do Campeonato que não estão inseridos nos gigantes do futebol brasileiros. Ao excluir os jogos de Ponte Preta, Joinville e Goiás disputados com portões fechados, a média fica em 10325 torcedores em média nos 58 jogos disputados até aqui e que atraiu 598878 torcedores no total. Desse grupo, o único com uma média de público respeitável é o Sport (PE), que atraiu 147.722 torcedores nos seus oito confrontos e está com 18465 de média de público. Coincidência, a equipe pernambucana está no G4. A diferença da média de público dos clubes gigantes para os clubes médios e pequenos é de 50,5%.

Por que o registro deste patamar fraco? Com base em tais números formulo uma teoria muita simples: todo o noticiário da imprensa e a atenção da CBF é voltada para que a competição sempre seja protagonizada por um dos gigantes. Não digo em relação a qualquer jogada de bastidores mas ao fomento do interesse. Somos bombardeados dia e noite com o noticiário sobre a luta dos concorrentes para a vaga na Libertadores ou da conquista do título. E quando um pequeno e médio está nas primeiras posições a primeira reação é de incredulidade. Ninguém acredita que essas agremiações vão se sustentar na dianteira por 38 rodadas. Resumo da ópera: como ficar motivado a ir ao estádio com um noticiário tão negativo.

Medidas? De imediato, um noticiário mais equilibrado nas emissoras voltadas ao futebol e uma distribuição mais justa das cotas de televisão. De preferência, o método inglês, com 50% igual para todo mundo, 25% com base na audiência e os outros 25% com base na classificação do ano passado. Mata-mata? Seria apenas um entorpecente que daria uma alegria momentânea, mas sem garantia de perenidade.

O melhor é caminharmos para pensar que o Brasileirão não é de 10 ou 11 clubes, mas de 20. Ou não somos um país continental? Fica a reflexão.

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