Por que o Palmeiras não pode ser rebaixado?

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O Palmeiras está no fundo do poço. Perdeu do Corinthians e não vê perspectiva de contratar um técnico de pulso firme e de comando para tirar o clube da zona de rebaixamento. No clássico, exibiu nervosismo, erros infantis e a derrota por 2 a 0 foi algo natural. Lógico, o que fugiu do roteiro foram os atos de violência dos torcedores contra a diretoria palmeirense. Protestar sim, mas dentro de limites civilizados. Repito: a torcida do Palmeiras tem todo o direito de reclamar e protestar, porque a atual diretoria (que era oposição a Luiz Gonzaga Belluzzo) fracassou.

Algo, no entanto, é reprovável: o posicionamento de jornalistas e veículos que consideram o rebaixamento palmeirense, um acinte.
Interessante observar como o jornalismo esportivo brasileiro caminha de modo esquisito. Defendem gestão profissionalizante, estádios modernos, craques no gramado, dirigentes racionais, torcedores comportados, mas na hora da bola rolar abraçam a tese mais preconceituosa possível.

Pelas contas dessa turma, o Brasileirão tem 12 times intocáveis: os quatro gigantes de São Paulo e Rio de Janeiro, os gigantes de Porto Alegre e Belo Horizonte. Esses clubes podem realizar as maiores lambanças do mundo que mesmo assim devem permanecer. O rebaixamento só pode ficar restrito às oito equipes fora do clube. A Ponte Preta, por exemplo, realizar boa campanha é pecado mortal. Está fora do sistema de castas.

Alguns profissionais não conseguem formular uma teoria simples: se o time é ruim e incompetente, independente da história e da camisa, merece cair para a Série B.

Tudo isso é apenas reflexo da inversão de valores reinante no jornalismo esportivo brasileiro, em que o entretenimento tomou a frente da noticia. Índices de audiência são mais preciosos do que reconhecer o valor de boas campanhas, mesmo que sendo feitas com pouco dinheiro. Pena, poucos sabem o prejuízo acarretado para gigantes em crise como o Palmeiras.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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