Por que o jornalismo esportivo não é levado a sério?

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É, a pergunta é forte. Carrega uma ponta de dúvida e talvez de melancolia. Ou desilusão. A verdade é que quanto mais o tempo passa,  fico convencido de que a abordagem, análise e o enfoque em cima dos fatos e com necessário espirito critico está  carregado de preconceito no jornalismo esportivo.

Culpa de quem? Sinceramente não sei. Talvez exista uma perspectiva histórica, uma sistemática construção de vícios que nunca foram devidamente esclarecidos. Ou combatidos. Exemplo claro: jornalista político declarar abertamente o partido para o qual vota seria considerado por muitos um desvio profissional. Jornalista esportivo dizer o time que torce e até envenenar seu trabalho com tal postura é até passível de elogios.

Por outro lado, relembro dois depoimentos verdadeiros, contundentes e que explicam um pouco a visão do que reina no país sobre o uma parte do jornalismo esportivo.

A primeira história em eu vivi após a derrota da Ponte Preta para o Botafogo por 2 a 0, no Majestoso. Após a partida, ao conversar com colegas de profissão, mostrava minha preocupação com o destino da Macaca. Foi quando um profissional de televisão, sem ser chamado, me interpelou e disse que aquilo não tinha nada a ver, tudo iria melhorar e que a Ponte Preta escaparia com tranquilidade. Após minha réplica, ele não teve dúvidas em afirmar: “Você é muito corneta, só vê o lado negativo”.

Posteriormente, dois ou três amigos me interpelaram e disseram que apesar de reconhecerem a necessidade do jornalismo crítico na seara esportiva, disseram que preferem vislumbrar tudo por uma ótica do entretenimento. Ou seja, futebol é apenas distração, não é legal tomar conhecimento daquilo de sujo que acontece nos bastidores. Isso sem contar a ideia de que se você torce por A ou B, em suas matérias, fará questão de prejudicar o seu principal rival. Como se por um instante não existe seriedade na conduta profissional e na maneira como lidamos com o jornalismo.

Confesso: joguei um monte de teorias ao ar, mas não cheguei a uma conclusão. Aliás, cheguei sim. É simples: onde impera a paixão e o fanatismo é difícil compreender a racionalidade.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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