Por que Jair Bolsonaro é idolatrado por alguns Cristãos Evangélicos?

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Sim, Jair Bolsonaro veio para estragar nosso final de ano. Suas declarações em direção a deputada federal Maria do Rosário (PT´-RS) são lamentáveis sob qualquer ângulo de análise. Mas algo me deixa intrigado. Aliás, diria que a palavra correta é estupefato. Por que boa parte dos apoiadores de Jair Bolsonaro é formada por Cristãos Evangélicos? Pegue e analise. Jesus Cristo pregava e prega o amor. Bolsonaro incita o ódio. Jesus Cristo acolheu a todos sem distinção de cor, raça, sexo e orientação sexual. Alertou para o pecado, mas não renegou ninguém. Bolsonaro, por sua vez, dirige ataques a mulheres e minorias como os homossexuais. E suas palavras são carregadas de violência.

Jesus Cristo foi condenado pelo poder constituído. Ou seja, contestou o poder. Pregou a obediência na questão do pagamento dos impostos. No entanto, nunca deixou de apontar condutas errôneas dos poderosos. Bolsonaro, por sua vez, defende o retorno do pior dos regimes de governo, a ditadura. A mente não tira a pergunta: por que alguns crentes amam Bolsonaro?

Nos posts contrários ao deputado no Facebook, sempre aparece alguém lhe defendendo. Já fiz pesquisas informais. Não é desprezível o contingente de crentes que defendem as idéias e as metodologias do deputado carioca. Na vida real e virtual.

Na semana passada, a jornalista Rachel Sheherazade fez um vídeo para o portal da Rádio Jovem Pan com uma tentativa de defender ou amenizar a atitude do deputado contra Maria do Rosário. Detalhe: a jornalista é declaradamente evangélica. Silas Malafaia, por sua vez, tanto não reprova as atitudes do deputado que celebrou um casamento seu. Não é de se espantar!?

Cada um tem sua tese. No caso deste blogueiro e jornalista, a explicação vem com base na própria história da Igreja Evangélica no Brasil e seu funcionamento nos dias atuais. É lógico que existem pastores democratas, inteligentes, abertos e de trato fácil. Mas a formação, em boa parte das denominações, é no enfoque do autoritarismo, na defesa de sufocar qualquer voz contestadora que surja dentro das igrejas. É ditadura abençoada por Deus. Se o cara não aceitar, que saia e abra sua igreja. Mesmo que tenha embasamento bíblico para contestações.

O pastor não pode ser contestado. É perfeito. Não pode debater ou discutir decisões importantes para a comunidade. De certa forma, o perfil de Bolsonaro contempla esse desejo de total ausência de democracia e de vozes plurais no dia a dia das igrejas. Para alguns (alguns!) a volta do regime militar seria uma dádiva. Seria o Estado na concessão do aval de um regime de exceção existente entre quatro paredes. Bolsonaro apenas vocaliza esse conceito.

Não para nisso. Ao acelerar sua perseguição aos homossexuais e bater no peito e defender com orgulho sua atitude contra Maria do Rosário, Bolsonaro apenas conforta um dos principais males existentes dentro das Igrejas Evangélicas no Brasil: o machismo. Sim, para muitos, os versículos bíblicos servem como amuleto para colocar a mulher em um papel abaixo de zero. Lógico, como defesa, muitos machistas citam o livro de Efésios, que diz: ”Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo. Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos”.(Efésios 5:22-24).

Ok, mas será que a mensagem do texto é que a mulher não tem valor algum ou nenhum na sociedade? Que ela deve ser tratada como um apêndice ou de modo desprezivo? Definitivamente não. Antes, um esclarecimento: para o blogueiro, os tempos são outros, a sociedade avançou e o papel da mulher na atualidade é bem diferente daquele do período enfocado na bíblia. Ponto.

Enfim, Bolsonaro verbaliza o que muitos crentes evangélicos queriam dizer, mas as mudanças e os avanços da sociedade deixam tais defensores em quadro constrangedor. Como não temos um Papa Francisco entre os evangélicos, podemos afirmar que mudanças de visão do mundo e da sociedade serão cada vez mais lentas. E Bolsonaro sempre terá público para lhe ouvir. E votar em seu nome. Uma pena.

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