Pontos corridos: contra fatos não há…

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O tricolor paulista tem três títulos nos pontos corridos
O tricolor paulista tem três títulos nos pontos corridos

Nada como a informação para colocar tudo no devido lugar. A conquista do título antecipado por parte do Fluminense e a rodada final do Campeonato Brasileiro sem muitas atrações assanharam os defensores do retorno do mata-mata, fórmula adequada aos torneios de tiro curto. A reportagem publicada na edição deste domingo do Jornal Folha de São Paulo coloca uma luz importante sobre o tema.

A matéria compara os números e resultados do Campeonato Brasileiro entre 1992 e 2002, em que predominou o mata-mata e posteriormente as edições com os pontos corridos. A diferença e melhoria é inquestionável. Vamos lá. A média de público no mata-mata foi de 12.271 torcedores por jogo enquanto que nos pontos corridos o resultado é de 13.399 torcedores por partida. A média de gols nos campeonatos com “jogos eletrizantes” no final registra 2,72 por jogo enquanto os pontos corridos registra 2,77.

Na questão dos direitos de televisão, a diferença é ainda mais gritante: os clubes saltaram de um bolo de R$ 136 milhões para R$ 1 bilhão por campeonato. Mais: é possível planejar o ano de janeiro a dezembro, com o devido fluxo de caixa. Aliás, esta é uma pergunta essencial que os defensores do mata-mata não conseguem responder: no mata-mata, oito clubes são selecionados para encherem os cofres de dinheiro. Mas e os 12 times: como encontrar recursos para sustentar até o final do campeonato? A televisão toparia pagar rios de dinheiro para uma equipe sem exibição na televisão?

A resistência em relação aos pontos corridos ocorre pela mania do brasileiro desvalorizar a meritocracia em todas as área. O acesso, a conquista de cargos ou de ascensão econômica de vez em quando ocorre pelo jeitinho, tráfico de influência ou o chamado “sobrenatural de almeida”. Natural muita gente achar natural uma equipe realizar uma campanha impecável na primeira fase, com 30 ou 40 jogos e depois ser eliminada após duas partidas. Com todo o respeito, isso não é emoção, é sacanagem da grossa.

Existem problemas a serem resolvidos? Lógico. A distribuição das cotas de televisão aumenta o fosso entre os concorrentes e a concentração de títulos nas equipes do Rio de Janeiro e São Paulo. Implantar o sistema inglês, que leva reparte metade do dinheiro igualmente para todos e o restante de modo proporcional baseado em audiência e no critério técnico é um belo caminho. Agora, não podemos destruir um dos únicos pontos positivos da gestão Ricardo Teixeira.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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