Ponte Preta e Guarani nutrem uma rivalidade destrutiva. Quem lucra com tal absurdo…

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Rivalidade no futebol é essencial. Saudável. É o que faz um clube sair da letargia, movimentar-se e criar fatos positivos. Porto Alegre e Belo Horizonte são exemplos de tal postura. O Cruzeiro por muito tempo dominou a cena, o que mexeu com o Atlético Mineiro. O fruto foi colhido na frente: a conquista da Libertadores pelo Galo. No tricolor gaúcho, a nova Arena é motivo de orgulho em contraponto ao Beira Rio que será usado na Copa do Mundo. Veja: a disputa é para cima, com a meta de melhorar cada vez mais.

Mas existe a rivalidade movida pelo ódio. Uma areia movediça que suga, traga e arrebenta os envolvidos sem perceberem. Não traz perspectiva e ainda por cima fomenta uma violência inconsequente e gratuita. Tal modelo enquadra-se em Ponte Preta e Guarani.

Duas equipes centenárias, tradicionais. Responsável por revelar jogadores e em dado momento da década de 1970 ser considerada a Capital do Futebol. Nesse período, a concorrência era nos moldes do que vemos hoje em Porto Alegre e Belo Horizonte. Nivelada por cima. Sempre.

Hoje não. Tanto torcedores bugrinos como pontepretanos envolvem-se em uma briga inconsequente, bélica, violenta e que de certa forma divide a cidade. Não há noção plena de que o fracasso de um hoje para ser a derrocada do outro amanhã. E o sucesso de um é a  alavanca para a reação do oponente.

Pegue o quadro atual. O Guarani está afundado. Endividado. Na Série C do Campeonato Brasileiro e sofrendo para quitar uma folha salarial de R$ 290 mil mensais.

Do outro lado, vemos a Ponte Preta, na Série A do Brasileirão, folha salarial de R$ 1,1 milhão e com um presidente que lhe emprestou R$ 100 milhões. Hoje, a divida está adormecida. E quando ele falecer? Será que a família terá a mesma paciência e benevolência para esperar a quitação do montante. É que todo mundo espera.

Atualmente, apesar de estarem em divisões diferentes, os dois times passam por bons momentos. O Alviverde não toma gol há nove gols e é líder do seu grupo na terceirona. A Macaca, por sua vez, aparece afastada da zona do rebaixamento e tem o artilheiro do campeonato, William, com nove gols.

Mesmo assim, as duas equipes estão sumariamente ignoradas pelos veículos de comunicação. Por que? Simples: para o mundo da bola, Ponte Preta e Guarani são apenas um só, representado pelo derbi campineiro, que mobiliza a cidade e atrai atenção do pais inteiro. Apesar de fato tão cristalino, o bugrino torce pela queda da Macaca à Série B e o pontepretano cruza os dedos para que o rival fique em 2014 na terceirona.

Por mais que tentem me explicar, não consigo compreender tamanha falta de Inteligência. Dos dois lados.

(foto: Rodrigo Villalba)

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

2 COMMENTS

  1. A arrogância e o preconceito arraigado na maioria dos torcedores alviverde, inclusive dos diretores(atuais), é que cria essa situação de animosidade entre as torcidas.
    É importante destacar que tal fato se da com o apoio de alguns cronistas que torcem para o GFC e não se importam em in suflar mais essa situação.

    Abraço,
    Paulo de Almeida

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