Política brasileira: sobram homens. Faltam ideias e projetos

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Desde que comecei meu interesse por política, em meados da década de 1980, o que mais me atraia era a diversidade de opiniões. Como esquecer, por exemplo, a eleição presidencial de 1989? Existiam os candidatos canastrões, os folclóricos? Sim, existiam. Mas também tínhamos candidatos com propostas concretas, ideologias e com rumos para o Brasil.

Lembro que Fernando Collor, além do seu discurso moralista de caça aos marajás, já dizia em seus programas que adotaria um programa liberal, para tirar as amarras burocráticas do país. Mário Covas, por sua vez, era o candidato do PSDB que tinha como bandeira principal o “Choque de Capitalismo”, com a intenção de fomentar o mercado interno e diminuir a desigualdade. Era um candidato de centro.

Na esquerda, Leonel Brizola defendia uma nova política de preços e salários, metodologia mais agressiva contra o combate a inflação e a revisão da lei que regia as telecomunicações no Brasil. O PT, com o então deputado Luiz Inácio Lula da Silva mobilizava intelectuais e personalidades com seu discurso de distribuição de renda, foco nas políticas sociais e com a meta do trabalhador direcionar os destinos do Palácio do Planalto. A carga ideológica e programática daquela campanha foi tamanha que Collor precisou utilizar métodos nada nobres para vencer por margem pequena e no segundo turno.

Nas eleições seguintes, em 1994 e 1998, Fernando Henrique, queiramos ou não, era o candidato que representava a estabilidade e que considera válido os programas de privatização. Lula, por sua vez, nos dois pleitos, colocou-se contra os programas que venderam os patrimônios públicos por um preço bem abaixo do ideal.

Chegou o ano de 2002 e Lula só ganhou porque prometeu combater a fome, o desemprego e sustentar os pilares principais da economia brasileira. Quatro anos depois, venceu Geraldo Alckmin já amparado por seus programas sociais, o que foi preponderante para embalar a candidatura e vitória de sua sucessora Dilma Roussef.

Perceberam? Seja com Fernando Henrique, Fernando Collor, Lula ou Dilma, presidentes foram eleitos em cima de ideias, projetos, programas sociais e com foco naquilo que poderiam fazer. Corrupção? Lógico que todos se importam, mas na hora H, todos votam com o bolso e pensando no melhor para o país.

Estamos a menos de um ano das eleições. O que Dilma fará em um possível segundo mandato nós já sabemos: o Bolsa Familia continuará, o Minha Casa Minha Vida terá expansão, o programa Brasil Carinhoso (voltado as crianças) terá continuidade e Guido Mantega terá a missão de aprofundar a expansão do mercado interno.

Pergunto: o que os candidatos oposicionistas oferecem de alternativas? Que ideias práticas eles apresentam para serem discutidas? O que eles pensam em fazer para diminuir a pobreza, melhorar a saúde e a educação? E vou mais longe: seus eleitores pensam nisso ou só querem saber de celebrar as prisões de José Dirceu e José Genoíno? Em que lugar se encontram os eleitores e políticos oposicionistas do PT com ideias e projetos?

Este blogueiro adoraria uma candidatura presidencial consistente no espectro da direita ou até do centro para fomentar um debate consistente e ideológico. Mas Marina Silva só quer saber de elucubrar, Aécio Neves insiste em soltar frases ocas de efeito e Eduardo Campos fala que pode fazer mais e melhor. Só não diz como. Depois não entendem porque Dilma lidera as pesquisas…

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