Pesquisas, pesquisas, pesquisas…

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As pesquisas continuam na berlinda. Elas erram, é verdade. Mas é preciso estar atento às mudanças da dinâmica do jogo eleitoral

Pesquisas eleitorais se transformaram em objeto de debates e estudos após a campanha eleitorais. Considerados como bussolas para definir tendências e enfoques dos candidatos, os levantamentos sofreram uma crise de credibilidade após a arrancada fulminante de Marina Silva na última eleição presidencial e que foi a responsável pela realização do segundo turno entre Dilma Roussef e José Serra. Agora, um projeto de lei do deputado Eduardo Azeredo (PSDB) quer estabelecer um aumento no número de entrevistados nos 30 dias que antecedem as eleições. Se for na eleição presidencial, o patamar mínimo seria de 13 mil questionários. Claro, apenas o Ibope, estruturado e turbinado pelos contratos com partidos e televisões teriam condições de encarar tal empreitada.

Uma pena que o deputado tucano não tenha entendido: as pesquisas não se constituem em problema e sequer podem ser consideradas como explicações para a derrota de outubro. Na realidade, foi o eleitor que mudou. O voto atualmente tende a ser flutuante por uma série de fatores que não podem ser captados pelos institutos de pesquisa. Pense por um instante: nas eleições de 1989, os fatos eram apenas gerados pelos meios de comunicação tradicionais e por debates televisivos. Tanto que os últimos entre Collor e Lula foi realizado por intermédio de um pool de emissoras. Hoje, além dos noticiários da mídia tradicional, o eleitoral foi submetido a uma bateria de debates nas televisões e associações de classe; por outro lado, a internet exerceu papel primordial para difundir teorias e ataques que antes eram propagados pelo boca a boca. Diante disso, oscilações eram normais. Veja: mesmo a presidente eleita Dilma Roussef registrou pequenas oscilações de voto no segundo turno. Ou seja: os políticos precisam aprender que as pesquisas (apesar de que algumas são mal intencionadas) se constituem em parte do jogo eleitoral, agora mais dinâmico e imprevisível. Quem não aprender a jogar, certamente ficará na pior.

 

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