Personagens da minha história: Adriana

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Você já reparou na resistência que possuímos em homenagear e reconhecer a importâncias das pessoas em nossas trajetórias? Percebeu como o individualismo prevalece acima de qualquer conceito e como a tolerância ao próximo é ignorada? Sempre que possível, o autor deste singelo blog vai  relatar experiências, troca de ideias e lições assimiladas por intermédio de outras pessoas. Gente como eu ou você. Que sofre, chora, possuem decepções, mas produzem o bem.

Adriana é um exemplo. Nossa amizade é caso atípico. Surgiu nos tempos iniciais das redes sociais e da internet. Demorei um ano para conhecê-la pessoalmente e sabia vagamente que era jornalista, assim como eu.

Não precisava de  pressa para conhecê-la e comprovar sua lisura. A justificativa estava nas suas atitudes simples. Em um simples teclado do computador, sem olhar no interlocutor, Adriana exibia predicados raros: ética, honestidade, retidão, lealdade, paixão pelo que gosta e valorização do conceito de amizade e família.

Tempos depois começou a namorar o seu atual marido e o casamento, ao contrário do que apregoam alguns, não serviu para nos afastar. Pelo contrário: palavra amiga e de conforto saem dos lábios de Adriana e também do seu companheiro (Do qual, aliás, tenho inveja: é um repórter impecável e sabe cantar como poucos. Eu, nem no banheiro me arrisco…).

Nunca, jamais presenciei uma critica contundente emitida dos lábios de Adriana e que é direcionada a outras pessoas. Foi com ela que aprendi o significado da palavra perdão. Não um sentimento superficial, que esconde ódio ou rancor pronto para aflorar em horas indevidas. É esquecer e reconstruir o que antes era intocável.

Adriana tem outro dom: preserva o sonho alheio. Nunca deixa que seus amigos e familiares desistam de seus anseios e desejos. Comigo não foi diferente. Há quatro anos, eu era apenas um jornalista que acompanhava e estudava futebol como hobby e sem perspectiva de constituir uma família. Quantas pessoas pediram para que eu desistisse e abraçasse um emprego, digamos, mais estável? Adriana caminhou no sentido contrário. Pegava o telefone, msn, Orkut e disparava apenas uma frase: “Não desista. Sua hora vai chegar!”. Quando tudo vira realidade, é inevitável recordar quem te ajudou a iniciar a caminhada. Mas eis o paradoxo: Adriana não quer reconhecimento. Faz o bem porque gosta. Simples assim. Pioneira, conseguiu destruir em minha alma um conceito tosco: existe sim, amizade sincera entre homem e mulher. Especialmente quando Deus está no centro da vida de cada um. Adriana pode não conhecer a Biblia Sagrada de cabo a rabo. Mas garanto: sem saber, aplica seus preceitos todos os dias.

Adriana é especialista em estender a mão sem pedir nada em troca. Celebra a felicidade alheia como se fosse sua vitória. Nunca teve dúvidas se iria gostar ou não da pessoa que escolhi para viver  do meu lado o resto da minha vida. Simplesmente acolheu, amou e preocupa-se com nossa felicidade. É raro.

Nos últimos meses, um sentimento vazio invadiu meu coração. Sabia que Adriana encarava dificuldades.. E eu não podia fazer nada. Se pudesse, seria uma eficiência infinitamente menor em relação ao seus desprendimento. Talvez algumas lições do futebol eu deveria aplicar na vida pessoal. A principal: ás vezes, por mais que se esforce, jamais chegará ao talento de um craque. Nesta selva de pedra de seres humanos gananciosos e sem limites, Adriana marca gol de placa todos os dias. Não é pouco.

1 COMMENT

  1. Você me fez chorar! Em parte, porque conseguiu me ver como sou. Em parte, pela homenagem inesperada. Em parte, porque também sei que não sou perfeita. OBRIGADA AMIGO! Adoro vc!

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