Patrícia Moreira, Grêmio e discriminação: uma luta que se resolve com firmeza e nunca com ódio!

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Acusada de atos racistas durante o confronto entre Grêmio e Santos pela Copa do Brasil, a estudante Patricia Moreira falou. Convocou a imprensa para encaminhar uma declaração e um pedido de desculpas ao goleiro Aranha, que já recusou. Por outro lado, a garota de 23 anos requisitou o perdão da torcida gremista pelo ato que fez.

Quem fala a partir deste momento é um jornalista que tem nojo e repulsa de qualquer ato discriminatório. Não suporto o racismo. Não aceito. Considero uma das principais chagas da sociedade brasileira, especialmente porque em algumas ocasiões é envolto em uma tremenda hipocrisia. Vide a reação em relação ao sistema de cotas no serviço público ou nas universidades públicas, algo que é renegado até pelos  próprios negros, que deveriam ser os primeiros a aplaudir esta forma de reparação da sociedade brasileira.

No entanto, seja de maneira teatral ou para a galera, Patricia Moreira fez algo que não costumamos assistir na sociedade brasileira: mesmo que forma indireta, ela admitiu seu erro. O ato foi motivado pela presença e pressão da mídia? E daí? Sim, porque quantos atos racistas e discriminatórios verificamos nos últimos anos em vários setores da sociedade brasileira e os protagonistas responderam com um constrangedor silencio? Ou seja, não admitiram o ato e ainda contaram com a impunidade.

Pense bem. Dessa vez, temos uma garota que admite ter cometido um erro e que agora vai se submeter ao escrutínio judicial. Pergunto: será que o caminho ideal é repudiar o ato da garota e considerar uma perda de tempo?

É direito do Aranha recusar o pedido de desculpas ou de perdão. Mas já pensou se Nelson Mandela, após viver 30 anos de um regime de apartheid, após ser eleito presidente da República da África do Sul, decidisse enfocar o espírito de vingança contra tudo e tudos? A luta contra o preconceito racial no Brasil deve ser feita em três frentes: punição severa para atos de racismo; esclarecimento a sociedade dos malefícios gerados por anos e anos de escravidão. E finalmente, estender a mão para quem reconhece posturas, atos e ideias preconceituosas. Ou seja, perdoar e conceder uma chance de reparação.  O negro brasileiro pode e deve ter reconhecido o seu valor. E deve ser reparado. Mas deve usar a inteligência para ganhar esta guerra que está longe de acabar.

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