Pastores querem protagonista evangélico em novela? Obrigado, já tenho meu herói…

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Quando criança, aprendi com meus pais que o crente deveria ser diferenciado, mas nunca perder a conexão com a sociedade. Reafirmar seus valores, mas respeitar a alternativa alheia. Pena, alguns lideres desprezam premissa tão básica.

Uma reportagem publicada neste domingo no Jornal Folha de São Paulo relata que a cúpula da Rede Globo convocou pastores e bispos de diversas igrejas evangélicas para uma reunião de aproximação. Não escondeu suas intenções: quer aproveitar o “boom” econômico vivido no país e faturar ainda mais. Por isso a realização do Festival Promessas e a cobertura generosa na Marcha para Jesus. Não que a Rede Globo esteja nas mãos de proprietários que frequentem alguma igreja evangélica, mas simplesmente porque deseja faturar mais e vislumbram o povo evangélico como belo nicho de mercado. É a lei do capitalismo.

Agora, o espantoso é verificar o desejo dos líderes entrevistados em querer uma contrapartida, que é a de buscar até um mocinho ou heroína evangélica nas novelas do horário nobre.

Uma tremenda bobagem, um delírio sem tamanho. Primeiro porque quem estuda minimamente as igrejas evangélicas sabe que existem inúmeras facções, tendências e ideias em um universo de milhares de igrejas e denominações. O crente que está na Assembléia de Deus não pensa da mesma maneira de quem está inserido na Presbeteriana ou na Batista, igrejas que discordam dos métodos e ações das denominações neo-pentescostais.

Todas essas igrejas concordam em 90% do teor da bíblia, mas tem visões diferentes em relação a posicionamentos morais e até assuntos bíblicos, como o batismo. A pergunta é inevitável: com tamanha variedade, como criar personagens que contentem um nicho da sociedade com interesses tão díspares?

Outro motivo que revela a estupidez dos pastores ávidos em cortejar a Globo é um fato simples aos olhos de qualquer um: as novelas, filmes e qualquer outro produto cultural muitas vezes são responsáveis em criar personagens e heróis para servirem como parâmetro e referência moral. Exemplo prático: recentemente encerrada, a novela “Avenida Brasil” tinha em Carminha o sinônimo de vilania enquanto que o Tufão era a personificação do homem simples e bondoso.

Quem tem um mínimo de fé cristã sabe do desperdício em perder tempo com isso. Jesus Cristo ocupa de modo completo o papel de guia e baluarte da nossa fé. Ele, além de ser Deus e ter operado milagres teve a capacidade de mostrar atitudes típicas de qualquer mocinho de filme e novela. Ou seu ataque de fúria contra os vendilhões não pode ser enquadrado nesse cenário?
Por isso, se algum executivo de televisão encaminhasse a oferta de fazer uma novela ou filme com um mocinho evangélico, minha resposta seria simples: Muito obrigado, pois eu já tenho meu herói. Pena que, absurdos dos absurdos, alguns pastores não se deram conta.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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