Pastores: por que eles buscam o poder dos homens?

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Alguns elegem Dilma como a pessoa mais poderosa do país. Outros, os proprietários dos meios de comunicação. Em outros casos, mesmo sem cargo eletivo nenhum, Lula parece magnetizar a plateia. Mas um grupo deve ser colocado nesse balaio e que começa a estreitar de maneira perigosa o seu relacionamento com o poder estabelecido: os pastores evangélicos.

Em 2012, as demonstrações foram inequívocas. Eduardo Paes, por exemplo, moveu mundos e fundos para ganhar o apoio de Silas Malafaia; em Belo Horizonte, o prefeito reeleito Márcio Lacerda, durante sua campanha compareceu a um culto da Igreja Batista e ganhou bíblia autografada do pastor Jorge Linhares. Em São Paulo, na primeira semana do segundo turno, a vitória de Fernando Haddad chegou a ser ameaçada devido a campanha liderada por Silas Malafaia em virtude do famoso Kit anti homofobia. Nas cerimônias de posse dos prefeitos no país, era mais fácil verificar a presença de um pastor de uma igreja de renome do que alguém da igreja católica. No Congresso, a bancada evangélica cresce a olhos vistos e pede cada vez mais poder.

O cenário complexo e diferenciado pede uma reflexão: afinal, o que alguns  pastores querem fazer com o poder concedido pelos homens? Sim, porque no mundo da política ao conceder uma fatia de poder, a expectativa é que exista a resposta, a recompensa. Uma via de mão dupla. E perigosa.

As vantagens concedidas aos líderes religiosos é dita e notória: liberdade para aprofundar o discurso moral, perseguir minorias e de quebra, se possível, ganhar instrumentos e legitimidade para perseguir aqueles que se colocam contra eles dentro de suas próprias instituições. É o desdobramento da famosa frase: “Você sabe com quem está falando?”. Automaticamente, ganha-se controle sobre o rebanho e extermina-se o espirito critico. Perceba: pastores e líderes de visão progressista e com ideário mais democrático, mesmo com ênfase na pregação da palavra de Deus, são aqueles que detêm os rebanhos minoritários. Existem pastores com esse perfil e que falam para grandes platéias. Sim, existem. Mas são poucos.

Que 90% do povo evangélico tem ideário conservador, disso ninguém duvida. Mas a meta é sufocar, arrasar, trucidar e liquidar os 10% restantes. Seria o caminho para instalar uma “Tea Party” á brasileira, com um discurso radical e sectário e ainda encontrar facilidades para viabilizar a construção de templos e instalação de rádios e televisões.

Sinceramente, nada disso vale a pena. Se todos adotassem o versículo “Ide e pregai o evangelho a toda criatura”, sem preconceitos ou perseguições, já estaria de bom tamanho. O problema é que o poder (dos homens!) é sedutor. E uma hora cobrará sua fatura.

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