Parreira: a nova velha voz do atraso no futebol brasileiro

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Em 2004, entre meus afezeres profissionais, participei da organização de um ciclo de debates e uma exposição de caricaturas de futebol. Entre as diversas mesas redondas ocorridas na ocasião, uma teve a presença do jornalista Vital Bataglia. Ganhador de prêmio esso e conceituado, chegou ao local do encontro pontualmente as 08h.

Cumprimentei, falei das minhas leituras do Jornal da Tarde e lógico, falamos de futebol. Em dado momento, disse sobre minhas recordações e confessei que tinha a conquista da Copa do Mundo de 1994 em alta conta. Imediatamente, Bataglia disparou: “Parreira quer destruir o futebol brasileiro. Ele só pensa em atuar como a Alemanha”.

Pois é, o tempo passou e muitas vezes esta declaração um desabafo ou uma expressão de ressentimento. Depois da participação na Copa de 2014 e os problemas para encarar a realidade, tenho que admitir: Parreira, infelizmente representa o atraso no futebol brasileiro.

É transparente e nítido que nossos treinadores estão atrasados. Não possuem uma cultura tática refinada capaz de extrair o potencial máximo do jogador. Tanto que a opinião pública clama por um técnico estrangeiro de grife. Quando menos se espera, Parreira, em entrevista a ESPN saí com a seguinte pérola: “Esse assunto me constrange (técnico estrangeiro na Seleção). Acho que não há necessidade de estrangeiro em qualquer seleção grancde. Não deu certo na Inglaterra. Foi um fracasso com Eriksson e o Capello. Grandes seleções têm que ser treinadas por técnicos locais. Imagina o técnico aqui tendo um dia para treinar e enfrentar a Colômbia. Tem dois meses para enfrentar a Argentina na China. Em seis jogos, perde três e já vai pressionado (…) O cara que chegar vai sofrer muito. Até porque, quando entender, já era (…)”.

Ok, digamos que Parreira esteja certo. Que não devemos abrir mão de um técnico nacional e que intercâmbios são suficientes. Então por que os treinadores brasileiros não exibem melhoria de repertório mesmo com os diversos que ocorrem anualmente, inclusive um simpósio promovido por ele? Antes de conclusões precipitadas, um esclarecimento: até 2004, 2005, sempre fui fã do trabalho de Parreira. Mas a velocidade de mudanças no futebol lhe consumiu. Ficou para trás.

Como Parreira tem dificuldade em entender que o problema é conceitual, dá para apostar que enquanto ele mantiver tal postura será a voz do atraso no futebol brasileiro. Infelizmente.

 

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