Para aliviar a barra de Danilo Gentilli, a medida é simples: no Brasil, tirem do ar Jimmy Fallon e David Letterman!

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Juro, eu tive boa vontade com Danilo Gentilli. Assisti com atenção sua estreia no SBT nesta madrugada. Fiquei até animado até com a abertura em que ela passa recolhendo os integrantes da equipe nos estúdios em que são gravados os programas da emissora. Após 60 minutos de piadas, bate papo e esquetes, não tenho medo em dizer: sem uma correção de rota, o programa tem tudo para abrigar o que existe de pior no humorismo brasileiro. Pode até ter audiência, mas será um atraso. E não falo em cima de suposições, mas em fatos.

Gentilli tentou fazer rir com um quadro em que entrevista jovens  em busca de um estágio. Perguntas impertinentes, preconceituosas e que deixam os candidatos em situação incômoda. Para relembrar a perda do companheiro de cena Marcelo Mansfield, colocou um cenário com uma casa de massagem em que um dos frequentadores, o ex-ator pornô Marcos Oliver, dizia que o humorista estava ocupado. Dispensável.

Para completar a noite, um bate papo com Fábio Porchat, o que de certa forma salvou o programa de um desastre total. Porchat contou boas histórias, riu de si próprio, mas deixou no ar a sensação de que poderia ser explorado de modo eficiente se o entrevistador tivesse sacadas apuradas e refinadas. Pior: uma das principais piadas da noite, de um curso de interpretação “Fábio Porchat” é, em sua essência, um plágio da piada do humorista Beto Hora com o ator Francisco Cuoco. Clique aqui e veja. As piadas finais com a participações de figuras como Agnaldo Timotéo e Rachel Sheherazade, mesmo que de forma indireta, demonstram a visão de mundo do humorista.

Antes do programa de estreia de Gentilli, assisti por 40 minutos a uma edição da semana passada do “Tonight Show” com Jimmy Fallon, da NBC, dos EUA e veiculado no Brasil no  GNT. A receita está toda lá: piadas apuradas sobre política e com todas as cores ideológicas e sacadas sobre o comportamento norte-americano. Como número musical, uma grande sacada: a banda do programa, “The Roots”, com instrumentos infantis e o apresentador tocou a música vencedora do Oscar de melhor canção e interpretada por Idina Menzel.

A entrevista da noite foi com a humorista Tina Fey, integrante do novo filme dos Muppets. Em um papo de 10 minutos, o apresentador e a atriz e roteirista tiveram uma conversa graciosa e despretensiosa sobre filhos e maternidade, além do novo trabalho da humorista revelada pelo “Saturday Night Live”. Para completar, ao dialogar com o músico Randy Newman, Fallon ganhou a resposta da noite ao querer saber do artista porque ele comparece tantas vezes ao Oscar: “O evento deve ser uma porcaria porque já fui lá por seis vezes”. Risos e palmas entusiasmadas da plateia.

Considerado o papa do Talk Show, o falecido apresentador Johnny Carson dizia que não adianta nada o programa de entrevistas contar com cenários miraculosos, tecnologia de ponta se faltar algo vital: um bom entrevistador e humorista. No lado positivo, Jimmy Fallon comprova que tal teoria é verdadeira. Ele preenche os requisitos com folga, assim como David Lettermann, da CBS e retransmitido no Brasil pela Record News.

Já Danilo Gentilli ganhou uma bela embalagem do SBT, mas o conteúdo…Ah, deixa para lá.

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