Papa Francisco tem razão: não deveríamos comemorar o Natal

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Papa Francisco é o maior líder Cristão dos últimos 60 anos. Disparado. Nem Billy Graham, pregador ousado, destemido e propagador da Palavra de Deus nos quatro cantos do mundo chega ao grau de importância do cardeal Jorge Bergoglio. Motivo: Francisco colocou as causas sociais ao lado da Salvação em Cristo como prioridades dentro do Vaticano. Não é pouco.

Nesta conjuntura, entendi perfeitamente a frase dita por ele a respeito do Natal: “Estamos perto do Natal: haverá luzes, festas, árvores iluminadas, presépios, (…) mas é tudo falso. O mundo continua em guerra, fazendo guerras, não compreendeu o caminho da paz. Existem hoje guerras em toda a parte e ódio. (…) E o que resta? Ruínas, milhares de crianças sem educação, tantos mortos inocentes. E tanto dinheiro nos bolsos dos traficantes de armas”, disse o Papa.

Concordo com o Papa. Se levarmos a ferro e fogo o que acontece no mundo, na sua casa, bairro, cidade, estado e nação, não temos motivos para comemorar o Natal. Há muito tempo. Por que guerras não são feitas apenas com armas e sim também com palavras, gestos e atitudes. E produz uma quantidade infinita de feridos e mortos na alma.

A frase de Francisco provoca reflexões e questionamentos. Além das guerras como comemorar o Natal com tanto preconceito e violência contra minorias nas cidades? Como trocar presentes enquanto milhares e milhares de crianças são vítimas de violência doméstica ou convivem com péssimas condições de higiene e de educação? Isso é amor ao próximo na prática?

De que forma adotar o 25 de dezembro como uma data festiva se durante o ano todo, nós, Cristãos Evangélicos, temos o desplante de considerar homossexuais uma anomalia, uma aberração da natureza? Como festejar o nascimento do homem que veio salvar a humanidade se nós mesmos colocamos na lata do lixo seus ensinamentos ao perpetuar o preconceito e a discórdia?

Como encontrar motivo para o Natal ser uma data positiva se mulheres ainda recebem menos do que homens?

Mais: de que forma celebrar o Natal se nós, seres humanos, somos frios e cruéis em 365 dias do dia? Pensamos apenas em nós mesmos, pouco ligamos para o sofrimento alheio e transformamos o ódio em combustível de vida? Pense bem: se estivesse entre nós, em carne e osso, Jesus Cristo estaria feliz em comemorar o Natal?

Na semana do Natal, em um súbito ataque de bondade, as Igrejas Cristãs Evangélicas ainda adotam o papel de mocinho e abrem os corações para todos: negros, pobres, homossexuais, transsexuais, índios, entre outros estratos da população. Por que não é assim todo ano? Por que o amor, bondade e generosidade não está presente nos outros 51 domingos do ano? Por que a busca por um modelo, um padrão de comportamento? Duro constatar o Natal ser comemorado com uma capa de hipocrisia.

Fé, generosidade, bondade, amor ao próximo e carinho com desconhecidos ou amigos não é apenas para o dia 25 de dezembro. É para todo minuto, segundo e hora de nossa existência. Como isso não é realidade, eu dou razão ao Papa: melhor fazer uma oração, agradecer ao nascimento de Jesus e ir dormir. Ceia e troca de presentes com o coração vazio e alheio ao sofrimento alheio não leva a nada.

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