O Sócio Torcedor é o único caminho do futebol brasileiro?

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Nos últimos anos, a instituição do projeto de Sócio Torcedor foi vendida como a salvação dos clubes brasileiros. A metodologia é muito simples: o torcedor paga uma mensalidade fixa, tem direito a uma série de benefícios e ganha preferência na aquisição de ingressos em jogos decisivos. Ao perceber o potencial do negócio, a multinacional Ambev acoplou-se aos principais clubes brasileiros e juntamente com outras multinacionais formulou um pacote de descontos na aquisição de produtos para quem for sócio. É lógico que em alguns locais o sucesso é inegável. O Internacional (RS) tem mais de 105 mil associados e o Grêmio conta com 73 mil. O Santos com 53 mil participantes, também pode celebrar uma bela participação.

O que esse blog propõe não é a extinção do programa. Nada disso. A meta é encaminhar uma reflexão pura e simples de algo que ainda não for abordado: será que a atual modalidade de sócio torcedor é o único caminho? Ninguém está sendo excluído?

Alguns dados mostram que o tema merece, no mínimo, reflexão. Exemplo: o Corinthians tem 30 milhões de torcedores no país e conta com 47 mil sócios. O Flamengo, motivo da paixão de 35 milhões de brasileiros está com 37 mil participantes.

Pergunta: mesmo que sejam programas recentes, não deveriam contar com participação mais efetiva? Será que o torcedor, no fundo, não deseja contar com uma parte do estádio reservada para ele aparecer quando achar conveniente? Não é uma temeridade insistir no programa e excluir milhões e milhões de pessoas? E se existirem torcedores que não querem participar de nenhuma forma de sócio torcedor, mas querem adquirir sazonalmente produtos oficiais do clube e comprar ingressos na bilheteria ou até pela internet? Eles devem ser desprezados em nome de reservar os estádios apenas os participantes do Sócio Torcedor? Digo isso porque o Corinthians tomou tal procedimento na final da Libertadores de 2012 e o Internacional o mesmo quando ganhou as Libertadores de 2006 e 2010.

Vou mais longe: infelizmente, ainda temos pessoas sobrevivendo de salário mínimo no Brasil. Pessoas que amam futebol e que acompanham a modalidade na televisão aberta e no rádio. E que antigamente, pagavam R$ 5 e pelo menos uma vez por mês assistiam ao seu clube do coração, mesmo que atrás dos gols. É justo excluir essa massa em nome de uma renda garantida? É justo formar uma discriminação de torcedores? Bem, alguns dirigentes de determinados times podem alegar que existem modalidades mais baratas de mensalidades, com valor de R$ 20, por exemplo. Ok, mas para quem ganha salário mínimo R$ 20 é fortuna.

Se o futebol transformou-se nesta máquina de ganhar dinheiro, o crédito deve ser dado ao seu caráter democrático, especificamente no alcance de  todas as classes sociais. Eu disse todas as classes. Que os condutores do sócio Torcedor de todos os clubes pensem em algo tão simples e complexo.

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