O que prende Doriva na Ponte Preta?

0
26

A Ponte Preta está em crise e o técnico Doriva tem seu trabalho questionado. Seja qual for o ãngulo da análise, a sua performance deixa a desejar. Neste returno, em cinco jogos disputados, a Macaca conquistou dois pontos. Na sua gestão de oito jogos, dos 24 pontos colocados á disposição, a Macaca somou nove, aproveitamento de 37,5%.

De acordo com dados da Universidade Federal de Minas Gerais, nas últimas 10 rodadas a Macaca tem 10 pontos somados e está na 16ª posição. Pior: neste trecho do campeonato, a equipe anotou seis gols, patamar inferior apenas ao lanterna Vasco da Gama, com três gols.

Estes são números frios e sem disfarces. Dentro do campo, Doriva não viabilizou uma equipe base e um modo de jogar. Excetuando-se a retranca bem aplicada contra a Chapecoense, nos outros sete jogos o esquema tático pecou por falta de solidez e de coerência.

Keno, Cesinha, Felipe Azevedo, Bady e Felipe são atletas que decepcionam ou que exibem limitações? Com certeza. Só que todos os elencos que disputam a divisão de elite contam com jogadores limitados e sem talento e ainda assim parecem com melhor padrão de jogo do que a Ponte Preta. Ou Apodi, da Chapecoense virou um Carlos Alberto Torres do Século 21? E o que dizer então de Zé Love, atacante do Goiás? E o Avaí enrolado com atletas muito mais calcados na força física e na disposição do que no talento? Essas equipes sofrem, vão e voltam da zona do rebaixamento, mas exibem uma forma e uma maneira de jogar, algo que parece distante na Ponte Preta.

Querem um exemplo de montagem tática e de estratégia inadequada? No primeiro tempo contra o Vasco, o lateral-esquerdo vascaíno Julio César estava nitidamente receoso de atacar com medo dos avanços de Rodinei. O que fez Doriva? Praticamente escalou o lateral como um terceiro zagueiro e colocou Diego Oliveira para realizar jogadas de força por aquele setor. Demorou para que o óbvio ficasse estabelecido, mas a atuação de Rodinei estava comprometida. Não por culpa dele.

Por norma, considero inadequada a troca de treinador. Só que toda regrão tem exceção. Não seria uma loucura trocar neste momento o comando técnico por todos os erros verificados no gramado. Até porque haveria tempo para o novo treinador chegar, conhecer minimamente o elenco, acompanhar o jogo contra o Santos dos camarotes e assumir na segunda-feira com força total para o jogo contra o Goiás, um embate de “seis pontos”.

O que poderia sustentar Doriva no cargo? Convicção de que o trabalho encontra-se no rumo certo e que os resultados aparecerão cedo ou tarde, algo ocorrido no Coritiba, em que após perder do Santos por 3 a 0 na Vila Belmiro muitos pediram a cabeça do técnico Ney Franco. A diretoria de futebol veio a público, bancou a permanência e desde então são quatro vitórias e três empates, aproveitamento de 71,42%. Duro constatar que vemos idêntica convicção no Estádio Moisés Lucarelli. 

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here