O que dá para esperar de Marina “De La Rua” Silva?

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Estou há 18 anos na estrada do jornalismo e a pesquisa sobre a popularidade de Dilma Roussef divulgada na edição deste sábado da Folha de São Paulo traz mais mensagens pela ausência do que pela presença. Após muito tempo, o jornal não divulgou a intenção de voto para Presidente da República. Sinal de que o quadro mudou radicalmente e com claro prejuízo para o PT. Dilma em terceiro lugar? Queda de percentual até com Lula como candidato? Teremos que aguardar.

Mas algo dá para dizer: a oposição capitaneada por Marina Silva, Aécio Neves e Eduardo Campos ganhou terreno. Devem virar nos próximos meses até os favoritos para vencerem a corrida do planalto.

Neste espaço, fiz uma brincadeira e liguei as características de todos com personagens políticos. De Aécio e seu ímpeto de juventude como do ex-presidente Collor de Mello e a semelhança de Eduardo Campos com Celso Pitta, que traiu seu criador, o atual deputado federal Paulo Maluf, não preciso me estender muito.

Mas quero me deter em Marina “De la Rua” Silva. Poucos ainda não noção do que pode significar uma vitória dela na eleição presidencial. Vai para a esquerda? Será um governo conservador? Terá pulso e liderança no cargo? Sinto que as pistas estão dadas e assim como em 1989, quando o eleitorado desprezou os políticos tradicionais e apostou no emergente PT e no obscuro PRN, as pessoas parecem querer abraçar alternativa como efeito de manada.

Para deixar claro: queiramos ou não, os únicos partidos em condições de suportar a complexidade deste presidencialismo de coalização são PT e PSDB. Logo, representados por Dilma Roussef e Aécio Neves. Qualquer outra alternativa é apostar no escuro, no desconhecido e  flertar com a crise institucional, seja em curto, médio ou longo prazo.

Diante disso, temos que ser sinceros: Marina Silva sempre foi um exemplo de vida, mas nunca, jamais foi uma liderança de forte influência no PT. Vou mais longe: mesmo na campanha presidencial de 2010, as pessoas votaram muito mais pelo simbolismo de um voto de protesto do que por conteúdo político.

Cabe perguntar: ela é a favor de privatizações ou de concessões a iniciativa privada? É adepta do arroucho fiscal no combate a crise econômica? E como vai patrocinar um salto qualitativo na saúde e educação? De virão os recursos? Mais: como serão conduzidas as negociações dela com o Congresso Nacional? Ela acha que a taxa de juros tem que abaixar ou ser elevada as alturas para combater a inflação?

E para terminar: Marina Silva é Cristã evangélica. Como será o relacionamento dela com pastores fundamentalistas como Silas Malafaia e Marco Feliciano? Vai apoiar o projeto de “Cura Gay”? E o estatuto do Nascituro? Ela é favorável a obrigar a mulher violentada ter o seu filho?

Como se vê, todos têm direito de procurar outras opções, mas a escolha não é tão simples assim.

 

Observação: não custa lembrar: na Argentina, Fernando De la Rua foi eleito na Argentina embalado por uma onda de protestos contra o governo Menem. Dois anos depois, a mesmíssima pressão popular produziu sua renúncia do cargo e jogou o país em uma crise institucional sem precedentes. 

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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