O que acontece com o Guarani?

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Em maio deste ano, antes do começo da Série C do Campeonato Brasileiro, decidi fazer uma ronda nos nove clubes concorrentes ao Guarani por uma das quatro vagas as quartas de final. Ao verificar as contratações e a estrutura de trabalho colocada a disposição dessas equipes, não tive dúvidas em afirmar no microfone da Rádio Central que o campeonato do Guarani seria de manutenção. Ou seja, disputar o acesso seria díficil.

Sim, em algumas partidas o Guarani mostrou melhor capacidade e categoria que os adversários, mas a verdade que a teoria não virou realidade. Pesou o planejamento e aquilo que foi feito pelos concorrentes. Hoje, quem lidera é o Brasil, cujo técnico, Rogério Zimmerman é um profundo conhecedor da escola gaúcha. O Tupi-MG, Leston Junior, que fez uma reformulação no tempo certo e contratou com antecipação e antes da bola rolar. O Londrina, terceiro colocado, tem o mesmo treinador  (Cláudio Tencatti) há quatro temporadas e jogadores que atuam juntos há muito tempo. E o Juventude? É limitado? Sim. Mas teve a humildade de reconhecer suas falhas, jogar no limite, apostar em um veterano focado (Paulo Baier) e ser comandado por um treinador identificado com o clube (Picoli) e que fez parte do elenco da maior conquista da história da agremiação, a conquista da Copa do Brasil de 1998.

E o Guarani? Comportou-se como alguém responsável por promover uma festa e que decide organizá-la na véspera. Estamos no final do primeiro turno e a equipe ainda faz contratações. Em todos os setores. Prova de que a estrutura pensada antes do campeonato começar não era válida. Detalhe: isso não tem relação com o treinador da ocasião, Ademir Fonseca. Deveria ser uma resolução da cúpula do futebol.

Para piorar o quadro, ninguém dentro do clube contesta a opinião do técnico Paulo Roberto de que nenhum jogador oriundo da base serve para o Guarani. Como assim? Só para ficar em um exemplo, ao comparar o futebol deficiente de Victor Faiska e Serginho Catarinense, será que Watson não teria espaço nesta equipe? Não ocorre um erro crasso de critério? Mais: há quanto tempo o time depende de Fumagalli para tudo? Ninguém pensou ou planejou contratar um camisa 8 ou alguém para dividir o trabalho de armação? Será que não existe ninguém na face da terra para cumprir tal missão e que tope receber de R$ 15 mil a R$ 20 mil mensais?

Quando falei, antes da bola rolar, que o Guarani faria um campeonato de manutenção porque tinha a convicção de que a torcida nunca abandonaria o clube e mesmo que na marra conseguiria os pontos necessários para ser melhor do que dois concorrentes e escapar do rebaixamento. Sim, porque se depender da articulação e da capacidade daqueles responsáveis em oferecer condições de trabalho infelizmente o Guarani ainda está muito atrás dos concorrentes. 

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