O protesto dos jornalistas do “La Nácion” e os equívocos dos coleguinhas brasileiros

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O ano de 2015 está na sua reta final e uma de suas fotos emblemáticas foi protagonizada pelos jornalistas do “La Nacion”, sem medo de realizarem um protesto contra um editorial do jornal que pede a liberdade de militares condenados por crimes cometidos na ditadura Argentina de 1976 a 1983. O registro é épico e traz reflexões ao Brasil.

Não vou pelo caminho de que os jornalistas daqui ficaram com o pensamento ideológico dos patrões. Estamos em uma democracia e você pode ser liberal, conservador, o que for. Desde que isso não fira os preceitos constitucionais.

A foto em solo argentino suscita outro tipo de debate: o jornalista brasileiro tem consciência de classe? Reconhece que alguns avanços só podem ser obtidos mediante um pensamento que olhe para as necessidades coletivas? Sabem que é necessário um fechamento de questão para encaminhar determinadas visões e interferir no debate da opinião pública?

Dou exemplos claros: os jornalistas, enquanto categoria no Brasil, transmitiram sua visão sobre os trabalhos da Comissão da Verdade, que aliás investigou arbitrariedades feitas contra os próprios jornalistas? Wladimir Herzog que o diga…

Hoje muitos jornalistas reclamam da Lei de Direito de Resposta. Mas a categoria utilizou Sindicatos ou outros canais de participação da sociedade civil para interceder na confecção da lei de autoria do senador Roberto Requião?

Infelizmente, ainda estamos na época que muitos esqueceram de um preceito básico: jornalista, independente do cargo e da posição, é trabalhador como outro qualquer. Não é e nunca terá o status e o poder econômico do dono do jornal, rádio ou televisão, que ocupa uma posição e dinâmica diferente na batalha da opinião pública. O jornalista pode até votar no candidato do proprietário do veículo, mas nunca terá o seu alcance monetário e de influência para sozinho mudar a cabeça de centenas ou milhões.

Enquanto pensarmos que somos “executivos” ou “sócios virtuais”, fotos como as que foram feitas pelos colegas do “La Nacion” serão ilusão de ótica no Brasil.

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