O político super herói: o vencedor das eleições-2016

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Que o eleitorado brasileiro é, na média, conservador, todos já sabemos. Então poderíamos entregar o cetro de vencedor ao PSDB, DEM, PPS e outras siglas do espectro conservador. Que ocorreu um avanço destas siglas não há como negar, mas as urnas emergiram um vencedor latente e vou chamá-lo de “político super herói”.

Ele de certa forma não está ligado a partidos políticos e não tem um programa partidário como bandeiras. Quando foi eleito em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso não foi escolhido apenas pelo seu histórico mas pelo Plano Real, algo bancado pelo PSDB e PFL, na época com Antonio Carlos Magalhães como um de seus principais caciques. Oito anos depois, Lula saboreou o triunfo não só porque encarnava a esperança de dias melhores para sair do sufoco mas porque representava um programa defendido anos e anos pelo PT.

Em 2016, tudo mudou. Pego dois exemplos deste novo tipo de político. Em Belo Horizonte, o ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil foi eleito em cima de uma frase singular: “Não quero ser político. Quero ser prefeito”. Nas propagandas eleitorais, o ex-dirigente aparecia em blitz e fiscalizações em locais abandonados pela atual administração. Promete colocar tudo em funcionamento na base do “quebro tudo ou arrebento”. Apresentou-se como alguém dotado de superpoderes capaz de reparar os estragos feitos pelos “políticos tradicionais”.

Em São Paulo, João Dória apostou no legado de Covas, FHC e Geraldo Alckmin. Mas foi na sua imagem de “gestor” que cativou o eleitorado, especialmente para prometer mudanças na área da saúde. Um gestor para combater o “vilão” personificado em Fernando Haddad e no PT.

O político super herói é muito eficiente na campanha eleitoral, mas tem suas limitações. Negociações com a Câmara, erros e equívocos de subordinados, a pressão da imprensa e o desgaste do cargo produz um efeito cascata que sem uma base partidária e programática é muito difícil sobreviver. Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello que o digam. Pena que as lições da história sejam ignoradas…

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