O pênalti a favor da Ponte Preta e o elitismo enraizado no futebol brasileiro

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Quem me conhece sabe que sou critico com os times de Campinas. Repudio choradeira com arbitragem e foco o desempenho no gramado. Exemplo: o árbitro escalado pela CBF cometeu uma tonelada de erros no jogo contra o Cruzeiro e não considerei preponderante para a derrota. Faltou bola naquele dia. Ponto.

Mas confesso minha irritação com a abordagem de veículos de comunicação da capital em relação ao pênalti marcado a favor da Ponte Preta e que decretou a vitória sobre o Palmeiras.

Sem querer ser ácido, digo que teve gente que só faltou utilizar régua, compasso, caneta, lápis de cor, calculadora eletrônica e tabela periódica para dizer que Raphael Klaus errou. Achando pêlo em ovo.

Nesse caso não é discussão de futebol. É um comportamento dos veículos de comunicação sediados em São Paulo que escondem uma arrogância, um elitismo e um desprezo que chega as raias da loucura. Por mais que tentem disfarçar, o comportamento é notório o recado é claro: “Nós estamos acima. Vocês fiquem felizes com as migalhas”.

Explico: jornalistas que trabalham nas capitais não confessam, mas no fundo acham que o Campeonato Brasileiro deveria contar com 12 clubes. Isso, só os gigantes e nada mais. Os pequenos e médios são um empecilho, uma perda de tempo. Eliminem todos e deixem o Brasil ser dominado pelos gigantes.

Para justificar a inutilidade daqueles que sobrevivem a duras penas vale tudo: desqualificar pênalti, contestar vitória obtida fora de casa, dizer que determinada jogada foi fruto do acaso, etc. O que dizer então da torcida escancarada para o Vasco escapar? Ora, se todos garganteiam a validade da meritocracia, que seja cumprido no lado oposto. Se o Vasco for incompetente, que pague na Série B. Imunidade aos gigantes? Patético.

E isso não acontece só com a Ponte Preta. Goiás, Sport, Atlético-PR, Chapecoense, Figueirense, Joinville…Falou que é médio ou pequeno recebe o desprezo e o pouco caso de boa parte da crônica esportiva brasileira.

Na sua metamorfose recheada de hipocrisia, muitos profissionais e veiculos de comunicação da capital paulistas dizem aos quatro ventos que tratam todos de modo igual. Mentira! E vou dizer: jornalista esportivo que trabalha em Campinas, Chapecó, Curitiba ou outras cidades fora de Belo Horizonte, SP, Rio ou Porto Alegre também recebem uma boa dose de desprezo e pouco caso. Ninguém me contou. Eu vivi. Ou dá para esquecer a arrogância, desprezo ou o nariz empinado de muitos profissionais de imprensa de SP quando a Ponte Preta disputou a final da Sul-Americana? Eu não esqueci.

Vou além: naquela ocasião, a torcida da Ponte Preta cansou de elogiar a Fox Sports por um único motivo: tratava o clube com respeito. Assim como faz agora com a Chapecoense. Isso é profissionalismo e equilibrio.

Duro é que esse elitismo é camuflado. Como não podem falar a verdade, porque dependem da audiência de TODAS as cidades localizadas no Brasil para sobreviverem e conseguirem as verbas publicitárias, da-lhe a estratégia de achar pêlo em ovo a cada derrota de um time grande para um médio ou pequeno. Pergunto: se o pênalti fosse a favor do Palmeiras a reação seria idêntica? Duvido.

A Ponte Preta somou três pontos, o pênalti foi bem marcado e peço que respeitem minha opinião e de outros profissionais. Ninguém é menor por trabalhar em Campinas. E os nove clubes que completam o campeonato foram tão ou mais importantes que os grandões para transformar o Brasil na potência que é no futebol.

O esporte deve premiar os melhores independente se o time é A, B ou C. E está mais do que na hora dos jornalistas e componentes do mundo da Bola entenderem que bom campeonato não é feito por 12 e sim por 20 times. Que devem ser tratados com equilibrio e respeito, seja qual for a sua posição na tabela. Chega de hipocrisia, preconceito e elitismo. A cura? Conhecerem um pouco mais o Brasil. Fariam bem a todos.

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