O melindre reina no futebol campineiro

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No dicionário, a palavra melindre quer
dizer algo muito delicado, frágil ou sensível. Pessoas ou grupos com tais características,
convenhamos, são difíceis de lidar. Pois este quadro pode ser designado aos
dirigentes e torcedores dos dois times de Campinas. Cidade de largo potencial
econômico e espaço ideal para inovação, abrigam dois times que simplesmente não
conseguem administrar a critica honesta e bem feita. Tudo é fruto de teoria da
conspiração. Ou pior, nas entrelinhas pede-se geralmente para aliviar a barra.

Aos fatos: na Ponte Preta, a diretoria,
diante dos recursos menores em comparação as potencias, decidiu fazer
contratações de jogadores cuja principal característica é o potencial técnico.
Apostas que podem vingar e dar frutos, como podem fracassar e abrir caminho
para o rebaixamento da Ponte Preta. Um cenário fácil de entender e que o
critico de futebol tem o dever de analisar. Na crônica esportiva, mesmo com a
chance de erro, não pode ocorrer espaço para a torcida. Mas o que se vê é uma
reação que beira ao inconformismo na Macaca. Como se o adesismo imediato da
imprensa pudesse alterar o estado de espirito do torcedor ou mudar o rumo dos
acontecimentos.

Por outro, discuti em alto nível com
torcedores nas redes sociais e alguns estão inconformados com as análises designadas
para a Ponte. De certa forma, queremos transformar a imprensa em parte
integrante da arquibancada. Não pode. Aliás, o grande mestre Alberto Dines já
dizia que rigor, independência e imparcialidade são conceitos a serem aplicados
em qualquer área do jornalismo, seja econômico, cultural, político e esportivo.

No Guarani, o clima melindroso não
fica atrás. Ninguém aqui será louco em negar a eficiência do vice-campeonato e
a parcial recuperação administrativa, que pelo menos deixou em dia os salários de
2012. Mas isso não quer dizer que o clube está imune á criticas. Não custa
lembrar que o alviverde é formado por seres humanos e estes cometem erros.

Por isso, não consigo entender porque
a contrariedade do presidente Marcelo Mingone quando escuta uma critica por
parte da imprensa. Ou de grupos de oposição. Aliás, um dos motivos do Guarani
quase ter fechado as portas nos últimos anos, além da falta de habilidade
política do ex-presidente Leonel Martins de Oliveira é por vários vezes a oposição
inexistir nos corredores. O contraponto é essencial para Mingone saber se está
certo ou errado. Exibir tristeza ou chateação com as criticas não colabora com
o crescimento do clube.

Em resumo: pontepretanos e bugrinos,
deixem o  melindre de lado, executem o
trabalho e deixem com a imprensa e com os formadores de opinião a função que
lhes cabe: informar, esclarecer, cobrar, criticar, elogiar, apontar soluções e
debater ideias. Simples assim.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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