O legado de meu pai

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Muitas pessoas me perguntam porque são tão polêmico. Ou de onde são geradas algumas tiradas que beiram ao nonsense. Sempre afirmo que tais atitudes são uma pálida lembrança de quem realmente exibia essas características: meu pai.

Confesso que por anos e anos vivi as turras com ele. Não entendia sua postura e determinação em querer colocar pratos limpos em tudo. Após meu casamento e com estreitamento na relação nos seus últimos anos de vida, passei a entender tudo sem qualquer nuvem nebulosa na frente.

Meu pai, antes de tudo, não compactuava com a palavra sacanagem. Pagava suas contas em dia, mas não suportava serviço mal feito e prestado. Se fosse preterido em uma loja, não tinha medo em protestar ou pedir ressarcimento.

Na igreja, tinha suas convicções, tradições. No entanto, ficava enfurecido se percebesse que uma pessoa humilde era desprezada dentro da casa de Deus. Ao ler a Bíblia Sagrada por quatro vezes, sabia que o ensinamento básico de Jesus era de que todos eram iguais. Levou tal ensinamento a ferro e fogo. Pagou o preço. Mas foi embora de consciência tranquila.

Quando na noite de 16 de setembro de 2011 vi ele fragilizado, respirando com dificuldade no Hospital Beneficência Portuguesa sabia que Deus estava lhe chamando. E tinha consciência de que uma nova missão eu recebia, a de tentar de alguma forma defender seus conceitos. Lógico, muito longe do padrão que ele exibia no dia a dia.

E saibam: quando comento futebol ou escrevo sobre o assunto, não é apenas ao ouvinte, leitor ou internauta. É, antes de tudo, uma homenagem as pessoas que me ensinaram tudo que sei sobre o tema, meus tios Oady, Nabal, Joel, Enoch, Francisco e principalmente, meu pai, que muitas vezes me contava histórias e mais histórias do São Paulo das décadas de 1940, 1950, 1960 e o sofrimento de construção do Morumbi e da década de 1970, quando retomou a rotina de vitória. Por isso, nos últimos anos estava inconformado com a idolatria em cima de Rogério Ceni, que ele considerava um ótimo goleiro, mas na sua visão longe de ser um ícone incontestável na história do São Paulo. “Craque era Leônidas da Silva, Zizinho, esses mudaram o São Paulo”, me disse algumas vezes.

Para arrematar eu digo: Não é fácil ser Elias Aredes Junior. Não é fácil carregar um nome com tamanha limpeza, retidão e caráter. Mas faço o possível. Ás vezes acerto, muitas vezes eu erro. Mas eu vou em frente. É a melhor forma de homenagear e amar este homem que viveu por 76 anos e criou eu e minha irmã com tanta dedicação. Feliz Dias dos Pais para todo mundo.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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